Em Jacarezinho, um grupo de cidadãos resolveu se mobilizar e conseguiu mudar uma decisão que aumentava de nove para 13 as cadeiras para vereadores na Câmara Municipal. No final do ano passado, ao saberem que o projeto de lei estava sendo discutido, o grupo fez a primeira manifestação na Câmara e foi motivo de ironia por parte de um vereador, que os chamou de "gatos pingados", o que acabou denominando o movimento. "Na semana seguinte fizemos uma grande mobilização e levamos três mil pessoas para a Câmara", conta o professor Sílvio Marcondes, secretário do observatório social "Todo poder emana do povo", que foi criado a partir do grupo dos "gatos pingados". Após o protesto, o projeto de lei foi retirado da pauta do legislativo municipal e a cidade continuou oferecendo apenas nove vagas para vereadores.
O grupo continuou de olho nas atividades do legislativo. Por isso, quando a Casa ia discutir novo projeto aumentando o subsídio que os vereadores recebem, novas manifestações foram organizadas e a proposta acabou não sendo votada. "Desde então, criamos o observatório social e estamos fiscalizando as licitações abertas pelo município", conta, destacando que em 2015, graças à interferência da entidade, foi possível economizar R$ 200 mil dos recursos públicos.
Outra luta da organização é relativa ao pedágio entre Jacarezinho e Ourinhos (SP), na rodovia federal que liga as duas cidades. O custo da taxa para trafegar é R$ 17, o que consideram abusivo, visto que a maior parte das pessoas que trafegam pelo local são estudantes que vão diariamente para a cidade vizinha. "A estrada não tem infraestrutura alguma, achamos que o pedágio é desnecessário", pontua. Neste caso, porém, a atuação do observatório tem sido via judicial. "Estamos buscando formas legais de questionar o pedágio", diz.
Para 2016, a proposta do observatório é fazer um trabalho de conscientização sobre as eleições. "Queremos que as pessoas sejam mais responsáveis em relação ao voto", diz Marcondes. (C.A.)

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