Infratores vão para centros de recuperação
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sábado, 07 de julho de 2001
De Curitiba 
No dia em que fui receber a sentença, minha mãe estava junto. Nós ficamos sete horas esperando o juiz. Eu queria ir para casa, mas quando o juiz deu a sentença, me algemaram e me trouxeram para cá. Eu sinto falta de casa. Eu sinto falta da minha mãe. O depoimento é de J.B.N, 15 anos, grávida de 8 meses e com uma filha de dois anos. Ela está na unidade de internação Joana Richa, em Curitiba, há pouco menos de um mês, por assalto.
J.B.N conversou com a reportagem da Folha durante uma oficina de arte. Nunca tinha participado de uma aula de pintura antes. Minha vida nunca foi de brincadeiras, não. Fui para a rua com 6 anos, revela. Mostra com o pano que limpa a tinta guache, que usa para colorir uma escultura de gesso, como fazia para cheirar o solvente que comprava nas ruas, por R$ 5,00. ô fácil conseguir o cheirinho, qualquer um pode comprar.
Não adianta tentar. Falta uma chance para nós, diz E.S., 16 anos. Detida por crime de lesões corporais, E.S. conta que ingere bebidas alcóolicas desde os nove anos de idade. Vinda de Cândido de Abreu (191 quilômetros ao Sul de Apucarana), a adolescente tem dois filhos, de um e dois anos e esta é a terceira vez que fica detida. Quero mudar. Tenho medo de perder minha família. (K.M.)


