Aos 85 anos, o engenheiro José Augusto de Queiroz acumula uma experiência profissional de 60 anos desde que se formou na Escola de Engenharia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Possuidor de um título de livre docência em mecânica de estruturas, ele deu aulas na Universidade Estadual de Londrina (UEL) por 27 anos. No início da carreira, porém, quando trabalhou como engenheiro da Prefeitura de Londrina, foi responsável por importantes obras que, a despeito da passagem do tempo, continuam "firmes e fortes" na paisagem da cidade.
A barragem do Igapó é a mais emblemática delas. Mas o engenheiro foi responsável também pelo estádio VGD e pela Concha Acústica – que considerou "a obra mais difícil", pelo formato da estrutura e também pelos ventos que incidem no local -, além de inúmeras pontes que permanecem intactas pela cidade. Após deixar a prefeitura, o legado de Queiroz para Londrina continuou. Em uma empresa privada, projetou viadutos, muitos edifícios que ainda são admirados no horizonte do município e obras diversas, além, é claro, dos muitos engenheiros que ajudou a formar.
Questionado sobre o segredo da solidez dos projetos, ele foi categórico. "Jamais projetei no computador", avisou. Além disso, fez questão de mostrar um livro de 1955 chamado "Manual do Engenheiro". "Quem não tem este livro não é projetista", acredita.
Até a aposentadoria, Queiroz garante que sempre utilizou a tradicional regra de cálculo ao invés de computadores ou outras máquinas. "As obras não caem porque foram projetadas com o cérebro. Já o computador é um cérebro eletrônico muito limitado. O problema é que atualmente as pessoas compram um programa e pensam que são calculistas", ironiza, acrescentando que "o raciocínio é criativo". "O bom projetista percorre o problema do início ao fim, entra em comunhão com ele", exagera.
Profissional sem nenhum "insucesso" na carreira, ele afirma que sempre se manteve atualizado sobre as normas técnicas, mas insiste que a precisão nos cálculos é mais importante para o êxito. "Antigamente construíamos com cimento pior, materiais piores, e as obras resistiam. Para construir uma ponte, por exemplo, é preciso considerar até mesmo os fenômenos que acontecem a cada dez mil anos", diz ele, que acredita, porém, na importância da manutenção das obras diante do desgaste e da urbanização.
Para calcular a passarela da barragem do Lago Igapó, que tem 57 anos, ele levou em conta o nível máximo que a água poderia chegar. Na época, porém, ninguém imaginava que Londrina teria 500 mil habitantes. "Hoje a bacia está impermeabilizada, toda água corre para o lago. Houve uma grande chuva e o nível da água chegou a 8 centímetros de atingir a passarela. Se não cuidarem do Igapó, ele vai rodar", profetiza. Queiroz critica que o poder público "tem mania de construir e fobia de manter". "Serviços de manutenção não garantem placas para ostentar", lamenta.
Outra crítica do experiente engenheiro é em relação ao orçamento destinado aos projetos estruturais. "Na Europa se destina 6% do orçamento para isso. No Brasil, fazem concorrência de preço e acabam pagando pouco. Mas o critério não pode ser apenas o valor do serviço, é preciso considerar a capacidade e a experiência do profissional que vai realizar o projeto."

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