A despeito das causas, os desastres envolvendo pontes em Londrina e a interdição das obras do viaduto da PR-445, na Zona Sul, estão influenciando no direito constitucional de ir e vir da população. Quem estava acostumado a usar os caminhos agora obstruídos sente muitas dificuldades para percorrer trajetos que eram simples de ser vencidos.
A faxineira Júlia Rosa de Mello mora no Conjunto das Flores e, todos os dias, precisa passar a pé pelas obras interditadas do viaduto para chegar ao trabalho, que fica do outro lado da rodovia. Nos horários de pico, ela chega a perder mais de dez minutos esperando uma oportunidade para cruzar a via, sempre com medo de ser atropelada. "Os moradores achavam que ia melhorar e ficou essa coisa esquisita. Aqui na região as melhorias demoram a chegar e, quando vêm, é desse jeito", lamenta.
O operador industrial Marcelo Aparecido Pereira Alves mora no Acapulco e conta que desistiu de usar o carro para ir ao Centro da cidade. "Eu estava levando meia hora a mais, porque preciso dar uma volta grande e ainda tem o trânsito para atrapalhar. O ônibus também demora, mas pelo menos eu não me preocupo", compara. A mãe dele, a dona de casa Maria do Carmo Pereira, disse que vai ter medo de atravessar pela passarela quando estiver pronta. "A gente vê que está trincada, essa história da ciclovia que caiu no Rio de Janeiro deixa a gente mais assustada", avisa.
As mesmas dificuldades fazem parte da rotina da aposentada Idalina Soares, que afirma ser até vítima de chacota por parte dos conhecidos quando vai explicar o próprio endereço. "As pessoas comentam que é perto do viaduto que nunca fica pronto. Isso desvaloriza nossas propriedades", acredita. Para ela, o aspecto mais triste da situação, porém, é perceber "que o dinheiro do povo está sendo usado de forma errada". "É difícil, porque o que era para ser benefício se transformou em transtorno", considera.
No distrito do Espírito Santo, a comerciante Luciane Inocêncio Goubetti relembra com tristeza dos dias em que toda a população da região ficou "ilhada" por causa da queda da ponte da rodovia Mábio Palhano sobre o ribeirão Cafezal. Com a via liberada em um dos lados da rodovia, apenas, ela afirma que o trânsito ficou mais lento, mas pelo menos garante a todos a possibilidade de ir e vir. "A lentidão maior é no final da tarde", conta ela, que sempre morou no local e garante nunca ter visto chuva com a intensidade do dia 11 de janeiro, quando a ponte sucumbiu. "Naquele dia a água invadiu meu açougue e atingiu uma altura de mais de um metro. Perdemos muita coisa, entre mercadoria e equipamentos", conta.
Na casa vizinha, a microempresária Andréia Ziza Inocente da Silva conta que mora há 36 anos na região e, durante esse tempo, só vê aumentar a falta de cuidado de todos em relação à natureza. "Tenho dó de ver o que aconteceu com a paisagem depois que a rodovia foi parcialmente interditada", diz. Para ela, o ocorrido deveria servir para alertar a população sobre a necessidade de cuidar da natureza. "Aquele monte de água só veio mostrar que precisamos nos preocupar com a preservação do meio ambiente. Não dá para prever a força da natureza", acredita. A atitude dos motoristas que transitam diariamente pela rodovia, segundo a moradora, já indica que o povo não se preocupa com os efeitos da poluição. "Tem muita gente que abre a janela do carro e joga lixo no caminho. Muitas vezes eu mesma saio para caminhar e recolho o lixo, mas é difícil acreditar que as pessoas ainda façam isso." (C.A.)

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