INFRAESTRUTURA - IBGE destaca concentração de estradas no Noroeste do PR
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domingo, 14 de dezembro de 2014
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
O Noroeste do Paraná chamou a atenção dos técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), no estudo "Logística dos Transportes no Brasil", divulgado em novembro. Assim como o Rio de Janeiro, o Sul de Minas Gerais, o Distrito Federal e o litoral do Nordeste (entre o Rio Grande do Norte e Salvador), o Noroeste paranaense conta com uma alta concentração de estradas pavimentadas. Basta olhar para o mapa (nesta página) elaborado pelo IBGE para comprovar.
A coordenadora de Gestão de Planos de Programas de Infraestrutura e Logística da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística, Rejane Karam, diz que, nos anos 1960 e 1970, a região demandou a criação de estradas devido ao rápido desenvolvimento do agronegócio local, principalmente a pecuária. "Essas estradas foram pavimentadas na década de 1980", conta.
De acordo com ela, além das rodovias estaduais, o governo federal também abriu BRs, como a 376, a 369 e a 323, com o objetivo de ligar São Paulo ao Norte e Noroeste do Paraná. A coordenadora diz que a malha paranaense é caracterizada pela pulverização. "Ao contrário de São Paulo, que tem as grandes radiais ligando a capital ao interior, nós temos uma malha que visa ligar as sedes dos municípios", avalia.
Rejane considera que a topografia favorável é outra razão para haver tantas estradas no Noroeste do Paraná. "É uma região com topografia bem mais amigável que, por exemplo, o centro do Estado", afirma.
Já o assessor técnico e econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo, tem outra explicação. "No Noroeste, o número de municípios é muito maior. São pequenos municípios que precisam ser ligados um ao outro. O Centro do Estado é formado por municípios de grandes extensões e por isso há menos estradas", afirma.
Julio Takeshi Suzuki Júnior, diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), concorda. "Temos um grande adensamento de municípios que exigem a construção desta infraestrutura." Ele ressalta que, devido ao desenvolvimento econômico do agronegócio, os governadores trataram de prover a região de infraestrutura de transporte.
Durante o EncontrosFolha, realizado em setembro pelo Grupo Folha de Comunicação, o professor Paulo Tarso Vilela de Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, chamou atenção para a importância da malha rodoviária do Noroeste e do Norte do Paraná. Resende considera que as regiões serão o "centro nervoso" da logística do Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País.
"A projeção deixa claro que o Norte do Paraná estará no olho do furacão das grandes demandas. A questão é: nós estamos preparados para aproveitar as oportunidades ou seremos uma ilha dentro de um País de oportunidades?", provocou.
Resende integrou um grupo de trabalho que analisou as rotas das cargas no Brasil e fez projeções para o futuro. "Foram analisadas 600 variáveis macroeconômicas, desde o câmbio ao preço do diesel. Projetamos o fluxograma de demanda para 2020", contou.
De acordo com ele, o risco é a região tornar-se apenas "passagem". Atualmente, segundo Resende, 50% das cargas que circulam no Norte do Paraná pelas rodovias e pela ferrovia são de outras regiões, principalmente do Centro-Oeste, no caso dos granéis agrícolas. Para aproveitar a condição privilegiada, o professor defende a "adição de valor" aos produtos locais.
O professor disse que, sem deixar de lado a tradição agrícola, a região precisa investir na agroindústria. "Defendemos que o Sul de São Paulo, o Paraná, Santa Catarina e o Norte do Rio Grande do Sul sejam um corredor logístico, onde o próprio agronegócio tenha adição de valor. O incentivo governamental será importante para isso", afirmou.


