INFÂNCIA EM RISCO - Denúncias de abuso crescem 32% em Londrina
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sábado, 07 de julho de 2012
Danilo Marconi <br>Reportagem Local 
Londrina - As denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes aumentaram 32% em Londrina. A Delegacia da Mulher, que cuida desses crimes, abriu 65 investigações apenas no primeiro semestre. Se as denúncias continuarem neste ritmo o ano vai terminar com cerca de 130 casos, até então uma marca histórica. Em 2011 foram 98. ''Isso quer dizer que as crianças estão pedindo socorro'', salienta a delegada Elaine Aparecida Ribeiro.
A violência sexual é o segundo maior tipo de agressão sofrida por crianças de zero a nove anos de idade no País, conforme levantamento do Ministério da Saúde. A violência sexual representou 35% do total de 14 mil notificações no ano passado (essas notificações tornaram-se obrigatórias em todos os estabelecimentos de saúde do Brasil).
No entanto, esse número está longe de demonstrar a realidade. Estima-se que apenas um em cada dez casos seja relatado no País. ''Há o medo e o preconceito por trás desse crime, um silêncio dolorido e que às vezes é exposto pelas crianças e mal interpretado pelo adulto. Muitas vezes a criança chega a contar para alguém, uma professora que não soube o que fazer ou um parente que teve medo em denunciar. Muitos casos são subnotificados'', comenta a juíza Zilda Romero, da 6 Vara Criminal, onde 95% dos crimes contra crianças ou adolescentes são de violência sexual.
No primeiro semestre deste ano foram realizadas 77 audiências desses casos, média de três por semana. No cartório tramitam ainda 134 ações penais desta natureza e 400 inquéritos aguardam conclusão.
O coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente do Ministério Público do Paraná, Murilo Digiácomo, apontou outro grave problema. O Estado não consegue prover apoio às vítimas de abuso. ''Não adianta ter boa vontade, é preciso ter preparo. 99% das pessoas que atendem essas crianças não sabem como atendê-las'', afirma.
Digiácomo aponta que cerca de 350 municípios sequer tem rede de apoio específica. Outro exemplo da fragilidade está no número de núcleos de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crime (Nucria) - apenas duas cidades das 399 no Estado contam com unidades: Curitiba e Foz do Iguaçu.
''Precisamos ter mais delegacias especializadas, equipes técnicas para atendimento diferenciado, qualificação dos policiais que atendem esses casos. É preciso haver política pública, investimento de recurso na contratação de profissionais e qualificação. Faz de conta não adianta'', critica.
Em Londrina, a Delegacia da Mulher tem uma equipe reduzida: apenas uma delegada, duas escrivãs e três investigadoras. O grupo conta com o apoio do Poder Judiciário e do município para concluir as investigações. ''Fazemos o possível e impossível para dar essa resposta, que muitas vezes não é imediata. Muitos dos atos libidinosos só conseguem ser comprovados por atendimentos psicológicos e isso não ocorre com um único atendimento'', explica a delegada.
A secretaria estadual de Segurança Pública informou, por meio da assessoria, que pretende implantar unidades do Nucria em Londrina, Paranaguá e Ponta Grossa. No entanto, não há prazo definido.


