O mito de que existe uma indústria da multa faz com que muitos brasileiros cometam delitos no trânsito e transfiram a culpa para o governo. A afirmação é da coordenadora geral de Qualificação do Fator Humano no Trânsito do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Maria Cristina Hoffmann. Segundo ela, os motoristas brasileiros sabem que é preciso cumprir a legislação de trânsito, considerada uma das melhores do mundo, mas preferem correr o risco.
  ‘‘Se as pessoas cumprissem a lei, não estariam sujeitas às multas.’’ Mas Maria Cristina reconhece que em algumas regiões do País os ‘‘Centros de Formação de Condutores deixam a desejar.’’
  A coordenadora defende que o caminho para a diminuição da violência no trânsito passa pela educação junto a crianças e jovens, além de fiscalização mais rigorosa e efetiva. ‘‘O SUS (Sistema Único de Saúde) gastou, em 2010, R$ 187 milhões para tratar as vítimas de acidentes no trânsito. Este é um dinheiro que poderia ser investido na rede de saúde, como construção de novos hospitais’’, argumenta.

Acima da Lei
  A coordenadora do Núcleo de Pscicologia do Trânsito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Iara Thielen, reforça que os condutores, em geral, se consideram acima da lei. ‘‘Algumas brechas dão chance para que as leis se tornem ambivalentes e que os infratores encontrem as falhas.’’ Como exemplo, ela cita o uso do bafômetro e os limites de velocidade estabelecidos. ‘‘A legislação prevê que, dependendo de quanto a mais o condutor ultrapassar a velocidade, há valores e infrações diferenciadas. Isso faz o motorista pensar que sempre pode correr um pouco mais.’’
  A psicóloga corrobora da tese de que as pessoas precisam mudar a ideia de obedecer a legislação somente para não ser punido.
‘‘A fiscalização surge porque a educação falhou. Neste momento, não podemos nos desfazer dela.’’ (Colaborou Marian Trigueiros)

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