A intenção de consumo das famílias paranaenses alcançou em agosto o pior índice em seis anos, com redução de 34,46% em relação ao mesmo mês do ano passado. É o que indica pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) divulgada na semana passada. O clima de pessimismo também se manifesta com relação ao emprego, visto que apenas 33,3% dos parananenses acreditam que terão alguma melhora profissional nos próximos seis meses.
O desânimo em relação à vida profissional encontra ecos em pesquisa divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A PNAD Contínua mostra que a taxa de pessoas sem ocupação, no Brasil, foi estimada em 8,3% no 2º trimestre de 2015, a maior taxa da série histórica que teve início em 2012. O índice aumentou tanto na comparação com o primeiro trimestre de 2015 (7,9%), quanto com o segundo trimestre de 2014 (6,8%). No Paraná, a taxa é menor, mas o aumento do número de desempregados acompanha o País. A taxa de desocupação passou de 4,1% para 6,2%, superando a média de 5,5% da região Sul.
O Estado também enfrenta alta no custo de vida. Em julho, a inflação em Curitiba registrou aumento de 0,89% em relação ao mês anterior e 10,63% em 12 meses, a taxa mais alta do país.
O economista Sandro Silva, supervisor técnico do Dieese no Paraná, reconhece que a alta nos preços foi acentuada no último ano, mas argumenta que trata-se de uma situação pontual. "É o impacto do reajuste da energia elétrica, que até junho tinha subido quase 90% em Curitiba", informa. Combustível e transporte coletivo são outros setores que, a exemplo da energia elétrica, deixaram de contar com subsídios do governo e apresentaram aumentos expressivos, impactando na inflação. "O mercado prevê que a inflação volte aos patamares anteriores no ano que vem", espera.
Segundo ele, os altos valores cobrados por água e energia elétrica impactam diretamente as classes com menor poder aquisitivo, que deixam de consumir outros produtos para honrar essas contas por serem indispensáveis para o dia a dia. "Ou não pagam as faturas ou vão comer menos. Acabam cortando o que é essencial", considera.
Silva analisa que o ajuste econômico realizado pelo governo, que vem reduzindo gastos desde o início do ano, está tendo impacto direto nas taxas de emprego e renda. Ele critica também a estratégia de aumentar os juros para conter a inflação, o que impacta no consumo mas não está resolvendo o problema porque, segundo ele, a inflação é pontual. "Mensalidades escolares e planos de saúde, por exemplo, há anos pressionam a inflação, mas não têm relação com a taxa de juros", avalia.
Por outro lado, aponta que as altas taxas de juros impactam diretamente nas contas do governo, que está pagando mais pela dívida interna. "Só no ano passado foram R$ 300 bilhões", pontua. "Acredito que as medidas não deveriam ter sido tão drásticas", opinou. (C.A)

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