Independentes admitem a exploração
O catador José de Oliveira, 40 anos, trabalha três vezes por semana com um carrinho próprio. Ele mora no Uberaba e faz longas jornadas para completar o carrinho com uma carga que varia entre 250 e 300 quilos de lixo.
Mas o trabalho é compensatório. Ele recebe o dobro por quilo vendido do que ganhava quando ainda trabalhava para agenciadores. Por oito anos, ele disse que teve que suar muito para receber quase nada pela venda do material coletado. ''Eles cobram os dias faltados. Se o carrinho não fosse meu, eu já teria sido dispensado por eles. Além do que o preço do material é muito baixo. Eles pagam pouco, exploram e ganham muito'', denuncia.
Oliveira tem três filhos. A menina de 12 anos é a mais velha e já está estudando. ''Se ela morasse comigo num depósito, provavelmente teria que trabalhar'', argumenta.
Nos dias que não coleta papel, ele faz trabalho como autônomo em jardins e construções. O carrinheiro já foi agricultor em Pato Branco, onde trabalhava desde os sete anos. ''Vim para cá porque não tinha mais oportunidade de emprego. Acho que valeu a pena'', comemora.
Leôncio Francisco de Araújo, 40, trabalha todos os dias das 6 horas até as 21 horas. Ele faz duas viagens e leva seu material para ser vendido diretamente em uma distribuidora da Vila Hauer. Mensalmente ele paga R$ 170,00 de aluguel, água e luz, mas acredita que tem um rendimento muito superior ao que tinha quando morava num depósito com outras famílias.
''Os depósitos pagam menos e roubam na balança na hora de pesar. Eles tiram dinheiro do pessoal. Exploram muito'', comenta. Araújo trabalhou dois anos em depósito e diz que sempre ficou atento para não ter prejuízos.
Ele tirava por semana entre R$ 50,00 e R$ 60,00. Como carrinheiro independente ele consegue tirar R$ 200,00 por semana. ''É penoso, mas vale a pena. Tem dias que chego em casa e nem sinto as minhas pernas'', diz. (L.P.)





