Incidência de tremores é recorrente no Estado
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domingo, 31 de janeiro de 2016
Aline Machado Parodi<br> Reportagem Local 
Um grupo de pesquisadores do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está mapeando as falhas geológicas no Paraná e em Santa Catarina e, apesar da frequência e da intensidade serem menores do que em regiões do Norte do Brasil, a incidência de abalos sísmicos no Estado são mais recorrentes do que se imagina.
Uma das primeiras conclusões do estudo mostrou que no território paranaense há uma grande densidade de estruturas geológicas, mas poucas estão ativas, como por exemplo, as existentes na região de Telêmaco Borba, nos Campos Gerais. Em dezembro, o sismógrafo do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), registrou tremores de baixa magnitude em Ortigueira e Ventania.
Algumas falhas geológicas são consideradas antigas, mas há falhas mais recentes. "Temos falhas reativas (as antigas) que voltaram a se movimentar e que criaram novas estruturas. Estas novas falhas têm uma direção leste/oeste, enquanto que as antigas estão no sentido nordeste/sudoeste e noroeste/sudeste", explica Eduardo Salamuni, professor de geologia estrutural do Departamento de Geologia e líder do grupo de pesquisa Neotectônica da UFPR.
O professor ressalta que com a instalação de equipamentos mais modernos o registro de tremores ficou mais fácil. A aglomeração populacional também tornou o fenômeno mais perceptível. "O que existia era uma ausência de percepção. Não havia gente morando nas áreas e nem equipamentos para monitorar. Eu tinha um professor que dizia: 'no Brasil não tem terremoto porque não tem sismógrafo'. Agora, quando começamos instalá-los percebemos que tem sim", relata Salamuni.
Em relação aos tremores registrados em Londrina, o pesquisador afirma que o quadro não era tão claro, mas que a região já sofreu com sismos em outras oportunidades. "Eles foram sentidos porque os epicentros acabaram ficando em aglomerados urbanos. O que estamos percebendo agora é algo natural e recorrente", ressalta.
O que chama a atenção de Salamuni é a superficialidade dos tremores. "É uma coisa curiosa. Os tremores são de muito baixa magnitude, porém provocaram danos em construções. Estes tipos de danos seriam consequência de tremores de maior magnitude. Estatisticamente, seria de 3,5 ou 4 graus na escala de Mercalli. Mas os registros da Universidade de São Paulo (USP) são de 1,8, 1,9 graus e isso, teoricamente, não ocasionaria danos. Mas quando é muito na superfície a onda de choque é mais forte", comenta.
Na opinião de Salamuni, essa superficialidade dos tremores deveria ser investigada, mas para isso seria necessário, no mínimo, um ano de investigação com aparelhos, mapeamento geológico e trabalho de campo.
De acordo com o professor, existe um alinhamento perpendicular em direção norte/sul de um cruzamento morfoestrutural com o Ribeirão Cambé. "Este alinhamento chamou a atenção e pode estar causando uma tensão na superfície da crosta. É algo que tende a desaparecer."
Analisando Londrina geologicamente, segundo o pesquisador, o Ribeirão Cambé foi represado naturalmente há centena de milhares de anos, na região onde está a Avenida Dez de Dezembro. "Em uma rápida análise, acho que tem uma causa tectônica de movimentação de falhas. Isso acontece por causa de uma tensão do terreno, com o alívio da tensão vai levar anos para voltar a acumulá-la novamente."
Ele descarta que as obras para instalação da adutora de água da Sanepar no Jardim Califórnia, zona leste, tenham alguma influência na tensão do terreno. "Para ocorrer algo (tremor) teria que haver uma vazamento de água estrondoso e com uma erosão gigantesca. Mas isso ocorreria uma vez só e não com repetição como está ocorrendo", avalia.
Os estudos do grupo Neotectônica mostram que os tremores existem e vão continuar em fraca magnitude. "A probabilidade de ocorrer sismos de média ou alta magnitude é quase zero. No caso de Londrina, houve uma grande repercussão porque afetou as casas de uma forma não usual", avalia Salamuni.


