Os primeiros imigrantes europeus chegaram à região sul em 1824, originários da Alemanha. Depois vieram os italianos, em 1874, e os poloneses um ano mais tarde. Saíram da Europa porque não eram mais absorvidos como mão-de-obra e o Brasil significava a alternativa para uma vida melhor.

Trouxeram consigo uma nova mentalidade de estrutura fundiária, baseada na pequena propriedade, que iria servir como pedra fundamental para o surgimento do movimento dos trabalhadores rurais sem-terra, na primeira metade da década de 80. Une-se à esse perfil uma forte presença da orientação religiosa. ''No seio desses personagens, há a resistência e o surgimento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Rio Grande do Sul e no Paraná'', explica o professor-doutor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Paulo Bassani, que estuda movimentos sociais na região sul desde 1982.

Ele esclarece que, originalmente, os povos europeus foram incentivados a ocuparem a região para funcionar como uma espécie de barreira humana contra o avanço da colonização espanhola na América do Sul. De acordo com Bassani, a resistência surge justamente desse perfil agrário brasileiro, esculpido em torno da ocupação da terra por interesse. ''Um dia, eles tiveram terra, a perderam anos mais tarde e aí passaram a cobrar por essa terra.''

A igreja, por sua vez, introduziu a luta mística pela terra, assentada numa fundamentação bíblica o êxodo, no Antigo Testamento, e a cruz carregada por Jesus, no Novo Testamento. O professor lembra que a cruz foi, inclusive, um dos símbolos iniciais do MST. A Igreja também marcou presença com a teologia da libertação, as comunidades eclesiais de base e a Comissão Pastoral da Terra.

''As pessoas tendem a ver o MST como um movimento único. Mas o movimento tem várias experiências de luta pela terra, incorporando movimentos novos e elementos capazes de apontar outros caminhos para o processo civilizatório'', destaca. Na opinião do professor, a própria política do Estado mantém os ideais de luta pela terra. ''Ao mesmo tempo que o governo assenta grupos de agricultores, ele desassenta outros tantos.'' Segundo Bassani, somente nos ano 90, mais de 800 mil empregos foram extintos no campo. (L.A.)

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