Igreja católica ditou a moda na Idade Média
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de julho de 1997
Iara Lessa Londrina 
A influência da Igreja sobre o mobiliário atravessa inalterada durante toda a Idade Média. As linhas retangulares, retas, elaboradas em madeira maciça, característica principal dos móveis góticos, continuam ainda no Renascimento, que traz como novidade em materiais o uso do carvalho inglês, transformando os ingleses nos exploradores mais antiecológicos do século 16.
No século 17, as linhas retas caem de moda e entra em cena o Barroco, outro estilo ditado pela Igreja. Rebuscados, cheios de curvas, ornamentos e fru-frus, o Barroco traz à tona o ébano. Logo toda a Europa adotou o estilo. Na França, ainda hoje, moveleiros são chamados de ebanistas.
Aliás, na França o Barroco ganhou ares de renovação com a criação dos estilos Luís 14 e 15 - este último deixou de legado para a humanidade o Rococó, onde as linhas vão se tornando mais leves e femininas. As cadeiras no estilo Luís 15 são cheias de graciosas curvas, sempre entalhadas. Os revestimentos são coloridos. Os motivos florais estavam por todos os lados.
Outro estilo importante, que viria a modificar a decoração do século 18 foi o Império, que também surgiu com muita força na França. Nesta época, Napoleão era a principal figura histórica e suas conquistas enchiam de orgulho os franceses. As modificações nas cadeiras são muitas. Os espaldares (encostos) são curvos, os pés dianteiros são retos ou curvados mas os traseiros são sempre curvados para trás. Eram coloridas, em geral amarelas ou verdes.
O estilo Vitoriano, que invadiu o mobiliário no século 19, trouxe de volta as cadeiras Luís 15, só que como toda moda retrô, o estilo ficou um pouco adaptado ao seu tempo, exagerando nas curvas e ornamentações das peças. Os materiais mais usados eram a nogueira e o ébano.
Já no final do século 19 surgia na Europa o Estados Unidos o estilo Art Nouveau. Em alta nesta fase, mobílias do escocês Charles Mackintosh e do catalão Antonio Gaudí. Essa forma decorativa abusava do romantismo, dos motivos florais e das composições assimétricas. Eram móveis mais delicados, claros, femininos.
Em nosso século, o desenvolvimento industrial trouxe grande diversidade no mobiliário. Com ele veio o funcionalismo e a praticidade. Esse estilo moderno, que acompanhava as frenéticas mudanças que ocorreram em nosso século, também integrou os móveis aos estilos arquitetônicos. A variedade de materiais é tanta que até mesmo móveis de cânhamo, matéria prima da maconha, são feitos. Nesta época de sedentarismo, as cadeiras ganharam o mesmo espaço que as camas na Idade Média. Elas estão entre os principais móveis de uma casa.
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