Ignoradas pelo Mais Médicos, cidades apontam dificuldades
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sábado, 14 de setembro de 2013
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
O governo federal lançou recentemente o programa Mais Médicos, que está em fase de implantação, com o objetivo de levar profissionais de medicina a regiões carentes de todo o País. A julgar pela lista dos municípios paranaenses contemplados na primeira fase do programa, o atendimento às localidades mais necessitadas ainda está longe de passar do discurso.
De acordo com um ranking divulgado recentemente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, os 10 municípios com piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) do Paraná são Doutor Ulysses, Cerro Azul, Laranjal, Guaraqueçaba, Inácio Martins, Coronel Domingos Soares, Diamante do Sul, Ortigueira, Santa Maria do Oeste e Tunas do Paraná. Destes, apenas Cerro Azul (Região Metropolitana de Curitiba) foi selecionado na primeira fase do Mais Médicos recebeu um médico por meio do programa (leia mais nesta página).
A FOLHA entrou em contato com as secretarias municipais de Saúde dos 10 municípios paranaenses com piores IDHs para saber se há falta de médicos. Em Coronel Domingos Soares (Sudoeste), há apenas um médico que trabalha 40 horas por semana no Programa Saúde da Família.
"A situação está bem crítica", lamenta Marly Bevilacqua Maito, secretária municipal de Saúde. "Coronel Domingos Soares é o maior município da região em extensão territorial. Há localidades no meio do mato, a 90 quilômetros da cidade." Marly descreve que o médico do Saúde da Família atua mais na sede de Coronel Domingos Soares, mas o município tem 36 localidades. A prefeitura requisitou cinco profissionais através do programa Mais Médicos, mas por enquanto não foi atendida.
Em Diamante do Sul (Oeste), três médicos trabalham na saúde pública: um no Saúde da Família, um obstetra e um psiquiatra. A secretária de Saúde, Eliane Tirelli, acredita que seria necessário ao menos mais um profissional para o Saúde da Família. "Estive em Brasília quando foi lançado o Mais Médicos, e pelo que entendi já estava mapeado (quem seria atendido). Todo mundo fez (pedido de médicos), mas sabíamos que não seríamos contemplados", lamenta.
Em Laranjal (Centro), onde atuam dois profissionais no Saúde da Família e um obstetra que presta serviços uma vez por semana, a prefeitura acredita que mais dois médicos resolveriam o problema. "Seria para a atenção básica. Tem dias em que aumenta a demanda", afirma Daiane de Oliveira, secretária municipal de Saúde.
O pedido da Prefeitura de Santa Maria do Oeste (Centro), de três profissionais, não foi atendido na primeira fase do Mais Médicos. Na cidade, três médicos atuam na atenção básica e plantonistas trabalham no hospital local. "Precisaríamos de no mínimo mais dois médicos na atenção básica", diz o secretário municipal de Saúde, Wilson Pittner.
Em Tunas do Paraná, cinco médicos foram solicitados, mas nenhum se inscreveu. A cidade fica perto da capital, portanto, não são raras as vezes em que ambulâncias saem de lá em busca de atendimento em Curitiba, em função da falta de profissionais.
Em Doutor Ulysses (Região Metropolitana de Curitiba), Guaraqueçaba (Litoral) e Inácio Martins (Centro-Sul), as prefeituras alegaram que não há falta de médicos, mas confirmaram que reivindicaram mais profissionais através do Mais Médicos.
Total
Ao todo, 17 municípios do Estado foram selecionados na primeira fase do Mais Médicos. Até a última quinta-feira, levantamento feito pela FOLHA apontou que 26 profissionais haviam homologado sua vaga entre essas cidades (veja infográfico). A previsão do MS era de que, no mínimo, 42 médicos brasileiros trabalhassem no Paraná. Ao todo, 286 cidades do Estado solicitaram 969 médicos ao programa.(Colaborou Marian Trigueiros)
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