O contador aposentado Yutaka Shiratori, de 62 anos, admite que só usou preservativo na época em que fazia o planejamento familiar. Pai de um casal de médicos, ele diz que a confiança é a garantia de saúde entre ele a esposa Akiko Ueda Shiratori. Ambos fazem parte de um grupo da terceira idade do Sesc onde a Aids foi tema na reunião da última sexta-feira, em Londrina.
Shiratori também faz parte de uma turma de nikkeis da meia idade e afirma que a sexualidade entre esses homens é um tabu. ''Fala-se muito pouco sobre o assunto''. Ao contrário deles, Alexandrina Sandra de Lessa, 72 anos, não se encabula nem um pouco. Ela faz questão de dizer que aprendeu muito durante a vida e fica feliz ao compartilhar seus conhecimentos com os outros.
Casada há 52 anos, mãe de três filhos e avó de oito netos, Sandra, como é mais conhecida, disse que não confia nos homens, mas nunca convenceu o marido de 80 anos a usar camisinha. ''É preciso enfrentar a realidade para sofrer menos. A franqueza entre o casal é essencial para a convivência. Essa é a minha receita de bem-estar'', disse a dona de casa.
Para ela, a inibição em discutir o sexo quando se tem mais de 60 anos vem do medo da maledicência. Sandra disse que na década de 50, quando era jovem, a malícia imperava na sociedade porque muitos assuntos eram proibidos. Hoje, ela acredita que esse receio só existe na cabeça dos ''velhos''.
Apesar de mais desembaraçadas do que os homens, Sandra e as colegas ainda se retraem diante de alguns questionamentos como, por exemplo, a existência da atividade sexual, o uso de preservativos, a sugestão do tema para debates e a exposição de dúvidas diante dos profissionais da saúde. ''Acredito que com nossos filhos a situação será diferente'', previu uma delas.
As secretarias municipais de Saúde e do Idoso de Londrina programaram para outubro a realização de oficinas de prevenção contra a Aids para os grupos da terceira idade ainda sem data definida. (B.R.)

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