Armando de Jesus, de 65 anos, trabalha como taxista em Londrina. ''Me aposentei e continuei trabalhando. Senão a renda ia ficar muito baixa'', justifica. ''Vejo muita gente (nessa faixa etária, que continua trabalhando), e pelo mesmo motivo. Quem é 'bem' aposentado não precisa esquentar a cabeça. Tenho um irmão de 85 anos, sitiante em Santa Cecília do Pavão (Norte Pioneiro), que ainda trabalha.''

Preservadas as peculiaridades de cada caso, relatos como esse estão se tornando mais comuns no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que na década passada o número de idosos no mercado de trabalho do País aumentou acima da média nacional.

Em 2001, aproximadamente 4,6 milhões de brasileiros com idade superior a 60 anos estavam trabalhando. No final da década, o número havia passado para 6,2 milhões. Esse crescimento, de 34%, é bem superior ao aumento geral do nível de emprego da população brasileira no período, que foi de 21%.

Solange Kanso, pesquisadora do Ipea, relata que atualmente os homens trabalham, em média, três anos além da idade mínima exigida para aposentadoria, e as mulheres, quatro anos a mais. Ela aponta duas razões que podem contribuir para essa permanência: a legislação brasileira, que permite que a pessoa se aposente e continue no mercado de trabalho, ao contrário do que ocorre em outros países, e o aumento da expectativa de vida.

Leia mais na reportagem de Fábio Galão exclusiva para assinantes da FOLHA.

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