IDENTIDADE - População indígena cresce 178% no Brasil
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sábado, 28 de junho de 2014
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Tamarana - A vista que se tem dos fundos do casebre do caingangue Moacir Campolin, de 60 anos, talvez explique porque ele nunca tenha saído da Terra Indígena (TI) Apucaraninha, a terceira maior do interior do Paraná, localizada na área rural de Tamarana (Região Metropolitana de Londrina). "Isso aqui era grande, ia pra lá de Tamarana. Depois os brancos vieram tomando nosso terreno e jogaram a gente pra cá", afirma, apontando resignado para o conjunto de relevos e montanhas que se descortina a sua frente. Com área de mais de 5 mil hectares, o aldeamento tem seus limites em sua maior extensão nos rios Apucarana, Apucaraninha e Tibagi, todos integrantes da bacia do Tibagi.
O velho índio mora com a mulher e uma das netas. Dos nove filhos, três residem na Aldeia Água Branca, uma das quatro que formam o aldeamento Apucaraninha. Os outros seguem perto dele, na aldeia principal, conhecida como Sede.
Campolin chegou a se mudar para a Água Branca quando os filhos foram para lá, mas, devido a desentendimentos com o cacique, preferiu voltar para a Sede. Os anos trabalhados na roça lhe deram pouco dinheiro e muitas dores nas costas. Vivendo da aposentadoria, o caingangue planta apenas alguns hectares de feijão e milho, para o sustento da própria família. E colhe um orgulho danado das origens. A cidade nunca o atraiu. "Nasci, me criei e casei aqui. O branco é que tem o costume de nascer num lugar e morar em outro depois que casa, para ganhar dinheiro", sentencia. Cerca de 700 famílias como a de Campolin vivem atualmente na reserva de Apucaraninha. O cacique da terra indígena, João Cândido, conta que quando chegou ali, há 26 anos, eram cerca de 300 famílias.
SALTO
Os índios estão em maior número na reserva tamaranense, no Paraná e em todo o País. Segundo dados censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 20 anos a população indígena no Brasil cresceu 178%. Em 1991, eram 294.131 índios morando em aldeamentos e na área urbana em todo o território nacional. No Censo de 2010, eles já somavam 817.963 pessoas. O Estado acompanhou esse salto populacional.
Na pesquisa de campo de 1991, o IBGE contou 674 indígenas residindo em Londrina, sendo 282 na zona urbana e 392 na zona rural (a maioria, provavelmente, em Tamarana, que ainda era distrito londrinense). Em 2000, quando Tamarana já estava emancipada, havia 961 indígenas vivendo no município, todos na zona rural, na reserva Apucaraninha. Londrina contava 1.155 índios (1.114 na área urbana e 41 na zona rural). No Censo de 2010, a população em Londrina praticamente foi reduzida à metade, 610 indígenas, enquanto a de Tamarana quase dobrou, passando para 1.483 (1.475 na zona rural). Ou seja, em 20 anos, o aumento populacional na TI Apucaraninha foi de 276%.
De acordo com especialistas ouvidos pela FOLHA, os números são atribuídos à melhoria da autoestima e, consequentemente, ao aumento das pessoas que se autodenominam índios nas pesquisas.
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