IDENTIDADE - Melhoria na condição de vida
Tamarana - Muito do fenômeno do aumento da população indígena tem a ver com a valorização do índio pelo próprio índio. O orgulho das raízes que o caingangue Moacir Campolin, da Reserva Apucaraninha, tanto externa tem sido cada vez mais compartilhado por consanguíneos da nova geração.
"Nenhum efeito demográfico justifica esse aumento populacional", esclarece a pesquisadora da diretoria de pesquisa do IBGE, Nilza Pereira. "A população indígena no período de 1991 a 2000 teve um crescimento atípico. Atribuímos isso a um número maior de pessoas se declarando índios, o que antes não acontecia. Até 1980 o indígena era computado junto com a população parda; foi a partir de 1991 que passamos a fazer o levantamento separadamente", explica a especialista, observando que de 2000 para 2010 houve um crescimento tímido na população indígena no País (de 734.127 para 817.963 pessoas, ou 11%). "A gente até esperava que mais gente se declarasse indígena nesse período, o que não aconteceu", afirma.
O professor de História da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Lúcio Tadeu Mota, pós-doutor em Antropologia Social e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em estudos de Etno-História Indígena, afirma que a melhora da condição de vida da população indígena no final da década de 1980 teve um impacto fundamental no crescimento demográfico apontado pelo IBGE. "Há duas explicações para esse crescimento populacional. A primeira é que principalmente no final dos anos 80 houve uma melhoria nos sistemas de atendimento à saúde e isso diminuiu a mortalidade infantil da população. A outra é que principalmente a partir da Constituição de 1988, com os direitos adquiridos pelas populações indígenas, elas passaram a ter autoestima melhor e começou a aparecer mais pessoas autoidentificando-se como indígenas", pontua. (D.P.)





