Idade e beleza criam castas e ditam preços
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sábado, 19 de maio de 2001
De Paranaguá 
Beleza e charme são fundamentais para garantir a vida na prostituição. Além das qualidades físicas, a idade é outro fator que faz com que existam classes sociais entre prostitutas e travestis.
Na Boca do Cais, zona de prostituição próxima ao Porto de Paranaguá, a aparência é o que aproxima ou afasta as mulheres dos melhores clientes. Nas primeiras casas estão as mais jovens e vistosas. A faixa etária oscila entre 18 e 25 anos. São elas que recepcionam os marinheiros dos navios que carregam a safra. Os carregadores pagam em dólares, diz Gisele, 19 anos.
Mais dispostas, as jovens se esforçam para chamar a atenção, já que a competição entre elas é grande. Bem maquiadas e vestidas (porque podem gastar mais com a aparência), elas não se incomodam em fazer caras e bocas, quando dançam perto dos fregueses para atraí-los. Afinal, um programa rápido (short time) custa cerca de US$ 40,00 (R$ 90,00). Mas pode chegar a US$ 80,00.
No entanto, quando a idade aumenta e a forma física se vai, as prostitutas mudam-se para as casas mais distantes e simples. Nesses locais, elas atendem os operários do porto (estivadores, operadores e arrumadores), que são menos exigentes quanto aos atributos físicos. Em compensação, pagam menos: entre R$ 30,00 e R$ 50,00.
Talvez pela longa carreira pelo menos oito anos, as prostitutas dessa classe são menos fogosas. Essas mulheres, cuja idade oscila entre 26 e 30 anos, ficam sentadas nas cadeiras à espera dos clientes. Normalmente passam mais tempo conversando e estimulando o cliente a beber, antes de consumar a relação sexual. Elas ganham porcentagem sobre o consumo de bebida.
Quando fazem programas, muitas torcem para a noite passar rápido. Tenho duas crianças e não vejo a hora de vê-las. Estou aqui por necessidade e não gosto do que faço, desabafa Teresa, 28 anos.
Mas a idade continua pesando e o caminho natural acaba sendo a beira da estrada, onde os caminhoneiros se dispõem a recebê-las. Fazem os programas nas cabines dos veículos mesmo. Tudo é muito rápido. Eles pagam pouco. Por isso, tem que convencer o maior número possível, conta Salete, que veio de Ponta Grossa. Um programa varia de R$ 10,00 a R$ 15,00.
Já entre os travestis, a divisão acontece na beira da estrada. Nos pontos mais perto dos postos ficam os mais bonitos e jovens. A gente não precisa se esconder da luz, enganando os clientes, esnoba Carla, 24 anos, também de Ponta Grossa. Por serem mais jovens que as mulheres de beira da estrada, os travestis ganham mais por programa. Eles cobram R$ 20,00 pelo sexo oral e R$ 50,00 pelo programa completo. (I.R.)


