A grande extensão da região Centro-Sul, que abrange os maiores municípios em área do Estado, é um desafio para a fiscalização. O escritório regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em União da Vitória, tem apenas quatro fiscais para cobrir 68 municípios do Centro-Sul, Sul e parte dos Campos Gerais. O superintendente do Ibama no Paraná, Vinícius Carlos Freire, admitiu que a região abrangida pelo escritório é uma área crítica de desmatamento, especialmente de espécies ameaçadas como a araucária e a imbuia.

Freire informou que a responsabilidade pela fiscalização é compartilhada com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e que desde o final de 2014, 60% dos valores arrecadados pelo Ibama com a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental é repassado ao IAP. Segundo Freire, o repasse deve ser integralmente usado com fiscalização.

De acordo com Freire, o Ibama lavrou R$ 4,4 milhões em multas por desmatamento no Paraná em 2015. Ao todo, foram embargados 454 hectares de áreas desmatadas irregularmente. "Áreas embargadas não podem obter selos de certificação ambiental, prezadas pelo mercado consumidor", explica Freire. As operações resultaram ainda na apreensão de diversos bens, como tratores e motosserras.

Atualmente, o desmatamento tem ocorrido de forma seletiva. Árvores de alto valor comercial são gradativamente retiradas de dentro das florestas. "É uma estratégia usada para tentar burlar o Ibama, informando tratar-se de árvores caídas naturalmente, sendo, na verdade, árvores derrubadas propositadamente", detalha. "No Paraná o desmatamento é um crime ambiental de considerável reincidência, sendo que as múltiplas possibilidades de se recorrer da multa judicialmente tornam-se dificuldades adicionais para o Ibama. As penas podem chegar até 4 anos de reclusão", afirma Freire.

O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) Luiz Tarcísio Mossato Pinto contestou os dados divulgados pela SOS Mata Atlântica. Segundo ele, os dados de monitoramento por satélite são uma ótima ferramenta para controlar o avanço das áreas desmatadas, porém, segundo ele, nem todas as manchas destacadas em vermelho no mapa são áreas de desmatamento ilegal. "O satélite aponta a supressão, mas em muitos casos que analisamos, trata-se de corte de floresta plantada, de culturas ou de sistema de pousio, quando o proprietário dá descanso às terras cultiváveis", elenca.

Mossato Pinto informou que "se tudo ocorrer bem", em 15 dias o IAP deve ganhar uma diretoria de Proteção Ambiental. "Será um braço que dará dinamismo às ações de preservação de nossas matas. Além disso, estamos revendo o modelo de ações ordenadas dentro do Estado em parceria com a Polícia Militar Ambiental", adianta. Ele ressaltou a importância da conservação das áreas de florestas de araucária no Centro-Sul. "É uma região que concentra o pouco de Mata Atlântica que sobrou em nosso Estado, por isso recebe uma atenção especial do IAP", garante. (C.F)

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