O superintendente do Ibama no Paraná, Luiz Nunes Melo, admite que as empresas que exportam pelos portos paranaenses se prevalecem de liminares para retirar a madeira do País. Mas é categórico ao afirmar que o Ibama não pode tomar providências. Em entrevista a Folha ele opina sobre o assunto.
Folha - Por que a maior parte da madeira que sai do País, inclusive as contingenciadas (com limite de exportação), embarca em portos do Paraná?
Luiz Nunes Melo - Por tradição. Historicamente, o Paraná sempre foi o maior exportador de madeira do País. Depois que houve uma redução drástica das madeiras extraídas no Estado, as empresas começaram a buscar o produto no Amazonas, no Mato Grosso e no Pará, mas continuaram embarcando aqui.
Folha - Mas não seria mais fácil embarcar em portos próximos a esses estados?
Nunes - Seria. Nesse caso não temos uma explicação. As tarifas comerciais são as mesmas em todos os portos.
Folha - A reportagem da Folha apurou que, apesar do limite de exportação da madeira contingenciada ter reduzido, o volume exportado em relação a esse limite aumentou. O excedente embarca por meio de liminar. Como o senhor explica isso?
Melo - Definimos um um volume para ser exportado a cada semestre, mas as empresas tem a liberdade de entrar com liminar se querem exportar mais. O problema é que essa madeira excedente não tem origem, é ilegal. Nós indeferimos o pedido de exportação, mas se o juiz permite não podemos fazer nada. Quando recorremos, a madeira já está no exterior.
Folha - Então o Ibama está impotente diante das decisões judiciais que liberam a madeira sem origem para ser exportada?
Melo - Nossas ações são transparentes quando proibimos a exportação da madeira sem origem. Mas não nos resta alternativa. Quando a Justiça autoriza, o Ibama não pode fazer nada.

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