Ibama fecha metade dos escritórios no PR
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sábado, 17 de fevereiro de 2001
Denise Angelo De Ponta Grossa 
A partir do mês de março, cinco dos dez escritórios do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná serão fechados. Na lista das unidades que serão desativadas estão os escritórios de Ponta Grossa e Guarapuava (região Central do Estado), Irati (Sul), Pato Branco (Oeste) e Maringá (Norte). Para atender os 399 municípios do Paraná, permanecerão em atividade apenas cinco unidades: a de Paranaguá, no Litoral, União da Vitória, na região Sul, Londrina, no Norte, e Cascavel no Oeste. A unidade de Foz do Iguaçu será transferida para Guaíra, também na região Oeste do Estado.
A mudança deixa a região Central do Estado sem nenhuma unidade do órgão federal. Apesar disso, o superintendente do Ibama no Estado, Luis Antônio Nunes de Mello, acredita que o meio ambiente não será prejudicado. O Ibama, como articulador de uma política nacional de meio ambiente, quer somar esforços com os estados e municípios, alega.
Segundo ele, serão mantidos escritórios do Ibama em pontos estratégicos. São as unidades que estão próximas a áreas de responsabilidade da União, como os parques nacionais e alguns rios.
A unidade de Paranaguá fica responsável por todo o Litoral e Serra do Mar, incluindo o Parque Nacional do Superagui e a Área de Preservação Ambiental de Guaraqueçaba. O escritório de União da Vitória terá como principal responsabilidade o atendimento ao setor madeireiro e também o monitoramento do Rio Iguaçu, que serve de divisa entre Paraná e Santa Catarina.
O escritório de Londrina passa a responder por toda a região Norte, com atenção especial ao Rio Paranapanema. E no Oeste, o escritório de Guaíra responde pelo Parque Nacional Ilha Grande e o Parque Nacional do Iguaçu, além do Rio Paraná. Já o de Cascavel terá atribuições voltadas para o cuidado com recursos hídricos e com a fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai. Mello diz ainda que o Ibama não deixará de estar presente nas demais áreas.
Argumento O fechamento de escritórios visa evitar que o Ibama e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) desempenhem a mesma função, segundo o superintendente do Ibama. O IAP permeia o miolo do Estado e dessa forma, o meio ambiente não ficará desprotegido, diz.
A medida tem ainda a intenção de fortalecer os escritórios que serão mantidos. Com a redução dos escritórios, o Ibama pretende aparelhar melhor as unidades que permanecerem em funcionamento. Mello anuncia que cada fiscal do Ibama passará a contar com um veículo para desenvolvimento de suas atividades, que serão limitadas a um raio de 300 quilômetros. Ele argumenta que o fechamento dos escritórios não significa a ausência do Ibama na região Central do Estado.
O diretor de Gestão Estratégica do Ibama, Rômulo Mello, diz que o fechamento dos escritórios faz parte de um estudo que ainda não está concluído. Esse estudo norteia a nossa tentativa de otimizar recursos, explica. Como o Ibama nasceu da junção de outros quatro órgãos (Secretaria do Meio Ambiente - Sema; Superintendência da Borracha - Sudhevea; Superintendência de Desenvolvimento da Pesca - Sudepe, e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal -IBDF) em alguns municípios existem até três unidades com a mesma função, conta.
Outro argumento é que no processo de gestão ambiental, o Ibama desenvolvia funções que hoje são de responsabilidade do Estado, que precisa assumi-las, assim como os municípios têm obrigação de se estruturar para tratar de questões ambientais.
O diretor explica que o órgão ficará com a seguinte estrutura: gerências regionais (uma em cada Estado); escritórios locais e centros de pesquisa. Dos 340 escritórios locais existentes hoje em todo o País, metade deve ser desativada. Nossa estrutura ficará menor, porém mais específica, argumenta Rômulo Mello. Ele diz ainda que a idéia é modernizar o trabalho do Ibama em todo o Brasil, elevando a capacitação de seus técnicos e oferecendo um suporte tecnológico maior, possibilitando, por exemplo, que as fiscalizações sejam feitas através do monitoramento de imagens.
Já o fiscal do Ibama em Ponta Grossa um dos escritórios que será fechado, João Antônio de Oliveira, acredita que a região perderá muito com a desativação. Hoje eu sou responsável pela fiscalização de uma área de 230 quilômetros, que abriga grandes florestas plantadas, é um corredor do tráfico de animais silvestres, e que abriga municípios que possuem parques industriais químicos consideráveis, relaciona.
Vale lembrar que só das florestas plantadas no Paraná, o manejo de 970 mil hectares ainda é de responsabilidade do Ibama. E a grande maioria dessas áreas, especialmente de florestas de pinus, está concentrada na região Central, justamente a que ficará sem escritórios do órgão.


