Hospital paga indenização a paciente
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sábado, 05 de maio de 2001
De Curitiba 
O menino Douglas Fernandes da Silva foi internado no dia 28 de novembro de 1997, no Hospital Universitário Evangélico, para uma correção nos testículos. Durante a cirurgia ele teria sofrido uma broncoaspiração (com vômitos). Ele teria saído do centro cirúrgico direto para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele perdeu as funções motoras, cognitivas, visuais e de linguagem. Hoje, com sete anos, Douglas faz fisioterapia em escola especial, alongamento clínico e reeducação visual.
A família chegou a entrar com ação judicial pedindo indenização por causa do erro médico. A ação tramitou até o último mês, quando foi feito um acordo com o Hospital Evangélico. Enquanto o garoto, que atualmente tem 7 anos, estiver vivo, a família ganhará mensalmente R$ 260,00. A primeira parcela foi paga no último dia 20.
O pai de Douglas, Guilherme Fernandes da Silva, 53, é pintor autônomo e luta com dificuldade para sustentar a família. A mãe, Sueli Terezinha Santos Silva, não pode deixar o menino sozinho e não tem como trabalhar fora. Ele ficou tetraplégico, não senta nem faz nada sozinho, disse o pai, lembrando que o garoto já teve algumas melhoras desde a cirurgia. Hoje ele enxerga e ouve. Mas não fala. O cérebro dele foi muito prejudicado, comenta.
A maior dificuldade tem sido a locomoção do menino para o tratamento. A família mora no bairro Monte Castelo, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). O tratamento é feito em Curitiba. Não temos como ficar mais perto dos locais de tratamento. Temos que pagar condução de ida e volta para minha mulher. São três ônibus por trajeto, lamenta.
Apesar do acordo com o hospital, Silva pretende ainda entrar com um processo criminal contra os médicos que fizeram a cirurgia. Ele entrou na sala de cirurgia perfeito. Fizemos a cirurgia porque o médico disse que era simples, explica. Os médicos alegaram que o garoto se afogou com o vômito e faltou oxigênio no cérebro. A nossa dedução é de que operaram ele e o deixaram sozinho. Como ele iria se afogar e ninguém ver?, questiona ele.
Mesmo com todas as dificuldades, o pintor agradece a Deus pela vida de Douglas. Eu vi meu filho morto. Foi misericórdia divina ter conservado ele vivo, avalia. (L.P.)


