Homens ainda definem uso da camisinha
A gerente do Programa Municipal de DST/Aids/HIV/Hepatites Virais e Tuberculose, Regina Cortez, confirma que ainda há muitas barreiras a serem vencidas em relação ao uso do preservativo. ''Até hoje, não são as mulheres que tomam a iniciativa de usar camisinha, não é ela quem define o uso ou não, cabe ao homem tomar a decisão.'' O resultado é que, em algumas faixas etárias, as mulheres estão se infectando mais que homens.
''A maior parte dos diagnósticos de HIV ainda é feita em homens, mas está ocorrendo uma clara feminilização. Hoje já são dois casos de homens para cada caso de mulher infectada, com exceção dos adolescentes, em que o número de mulheres com o vírus já é maior que o de homens'', observa Regina. Dados do Ministério da Saúde confirmam que a diferença entre os casos de homens e mulheres vem diminuindo ao longo dos anos.
Os números oficiais também confirmam a situação diferenciada vista entre os adolescentes. A única faixa etária em que o percentual de casos de aids é maior entre as mulheres é a que inclui jovens de 13 a 19 anos, em uma inversão que vem sendo registrada desde 1998. Já a faixa em que a aids é mais incidente, em ambos os sexos, é a de 25 a 49 anos de idade. Só no ano passado, no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) do Centro de Referência Dr. Bruno Piancastelli Filho, que atende Londrina e região, 93 pessoas nesta faixa de idade foram diagnosticadas com o vírus HIV. Em 2012, até o final de julho, foram 44 exames positivos nesta faixa.
Segundo Regina Cortez, os homens ainda são os que mais procuram os serviços de saúde para realizar o teste de HIV. De maneira geral, as mulheres que se relacionam com um único parceiro não acreditam na possibilidade de ser infectadas. ''70% das mulheres que são reagentes (que apresentam o vírus no organismo) argumentam que têm apenas um parceiro há muitos anos e que sentiam-se seguras. Até se contaminarem, elas não imaginavam que, a partir do momento em que acontece uma relação desprotegida, seja com quem for, o risco passa a existir.'' Tanto que atualmente, de acordo com Regina, fala-se em ''comportamento'' de risco, e não mais em ''grupo'' de risco.
Teste rápido
Uma evolução importante para conter a disseminação do vírus foi a implantação no sistema público de saúde dos testes rápidos para diagnóstico de HIV, que fornecem o resultado em 15 minutos. Seu grande mérito é conter um comportamento comum em quem desconfia que foi contaminado: não retornar para conhecer o resultado. ''Como sai tudo na hora, a pessoa não chega a ir embora. Se o exame der positivo, ela começa a ser acompanhada e tratada imediatamente, prolongando a possibilidade de adoecer e evitando que transmita o vírus a outras pessoas'', argumenta a gerente do programa municipal.
Regina informa que desde 2010 houve a descentralização dos testes rápidos para 15 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e atualmente 200 profissionais de saúde estão sendo treinados em Londrina e região para ampliar o serviço. Em Londrina, todas as 53 UBSs devem estar aptas a realizar o teste rápido até o final do ano. No Paraná, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a previsão é que até 2015 o teste rápido de aids e sífilis esteja disponível em todas as UBSs.
Uma grande preocupação atualmente é que para cada paciente diagnosticado com aids, estima-se que existam outras cinco pessoas infectadas pelo HIV, que desconhecem sua condição sorológica. Para exemplificar, Regina Cortez informa que em Londrina há cerca de dois mil pacientes de aids, mas estima-se que em torno de 15 mil pessoas tenham o vírus e não saibam. (S.L.)





