As festividades pela união entre o príncipe Harry e a atriz Maghan Markle tomaram conta das ruas de Londres
As festividades pela união entre o príncipe Harry e a atriz Maghan Markle tomaram conta das ruas de Londres | Foto: Tolga Akmen/AFP



Milhões de pessoas acompanharão pela TV neste sábado (19) o casamento entre o príncipe Henry Charles Albert David, conhecido como príncipe Harry, da família real britânica, e a atriz americana Meghan Markle. São esperados mais de 600 convidados na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor, a 34 quilômetros a oeste de Londres. A cerimônia será realizada ao meio-dia (8 horas no horário de Brasília) e tem duração prevista de uma hora. O londrinense Maisson David Ferreira da Silva, 31, que mora em Londres há dez anos, relata que o clima na capital inglesa é semelhante ao que ele viveu na época do príncipe Willliam e Kate Middleton. "A cidade está entusiasmada. As ruas estão todas enfeitadas com bandeiras do Reino Unido", ressaltou. Silva ressaltou que as lojas também estão bastante enfeitadas por causa do matrimônio real.
"Por ser realizado um pouco longe dessa vez, e não em Londres como foi o do príncipe William, o outro casamento foi mais agitado. Mas tenho amigos brasileiros que vão lá para a frente do Castelo de Windsor só para ver o casamento. Há uma pessoa que mora na minha casa que vai sair de casa às seis horas da manhã para tentar chegar o mais próximo possível de onde o casal irá passar", destacou Silva. A organização, diz ele, está esperando cerca de 100 mil pessoas que integrarão a multidão de curiosos que estará no entorno do trajeto que o casal irá percorrer.
Silva ressaltou que é tanta gente reunida que se alguém se posicionar em determinado lugar não conseguirá nem sair do lugar. "O pessoal levará comida de casa mesmo. Não existem ambulantes em um evento como esse. Muitos levam vinhos e champanhe para comemorar", explicou.
Ele destacou que a organização da cerimônia está tomando medidas contra o terrorismo. "A organização terá o reforço de mais de 250 soldados das forças armadas britânicas", apontou.
Desde sexta-feira o trajeto pelo qual o casal irá passar de carruagem está interditado e já foram instaladas barreiras de isolamento. Silva explicou que em se tratando de uma cerimônia de casamento envolvendo algum membro da família real, todos entendem essas interdições no trânsito. "As pessoas aceitam o transtorno. Isso que é o mais legal de viver por aqui. Eles podem fechar toda a cidade que as pessoas entendem e não reclamam. Isso reflete até em nós, que somos de fora. Nós acabamos aceitando esses transtornos também", apontou

RAÍZES INGLESAS
O proprietário da escola de idiomas Cultura Inglesa de Londrina, Alan Thomas, é neto do escocês Arthur Thomas, que foi gerente geral da Companhia de Terras Norte do Paraná e possui cidadania britânica. Ele explicou que a família real inglesa é um símbolo da unidade do Reino Unido em um momento que passa por tensões internas e externas em função do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia). "Nesses momentos de crise, a família real é o símbolo da unidade de todos os ingleses. A rainha é uma pessoa que a gente admira muito e serve como inspiração para muitos ingleses", declarou.
Ele relembra que seu avô Arthur Thomas e Lord Lovat acompanharam o príncipe Albert (bisavô de Harry) e Eduardo VIII, o príncipe de Gales, em visita ao Paraná em 1931. "Eles vieram para visitar Londrina, mas o mau tempo impediu que essa visita acontecesse (a visita parou em Cornélio Procópio). Meu avô Arthur Thomas era escocês e era patriota. Esse contato com a família real foi uma grande honra para ele. Meu avô materno, Ronald Shepeard, também era patriota e tinha um quadro pendurado na sala com o retrato da Rainha da Inglaterra e do Duque de Edimburgo", relembrou. "Eu sou patriota tanto à Inglaterra quanto ao Brasil. O patriotismo é um valor da nossa família", declarou.
Alan Thomas relembra que foi educado na Inglaterra. "Eu fazia parte de um sistema que respeitava muito. Claro que hoje em dia há muita discussão se a Inglaterra vai virar republicana algum dia, mas pela popularidade da série The Crown, exibida na Netflix, os ingleses precisam de algo que os una. Em momentos de discórdia interna é preciso se apegar a esses símbolos", declarou.

REALEZA MAIS HUMANA
O professor de História da Universidade Estadual de Londrina, Rogério Ivano, afirma que esse casamento de Harry e Meghan está levantando várias questões. "Harry é filho da princesa Diana, que se tornou um mito da sociedade inglesa. Ele está se casando com uma afro-americana e isso torna esse casamento muito simbólico por tornar a imagem da realeza mais humana e mais próxima de uma realidade social contemporânea e da própria sociedade inglesa, que tem sofrido miscigenação cultural", apontou.
"É um grande evento de interesse global, porque são poderes econômicos que estão em questão. É um poder simbólico muito grande. É importante observar esse simbolismo muito grande dos comportamentos sociais. É um matrimônio que tem todos elementos de romance moderno. Uma pessoa que é de fora da realeza e possui ascendência negra está se casando com um membro da realeza secular", apontou. O matrimônio, diz ele, colocará uma personagem de um universo contemporâneo afro-americano em uma esfera de poder econômico e simbólico inédito. "Pode reforçar todo debate e comportamento que hoje se compreende como toleráveis e politicamente correto e recolocam coisas do século retrasado, como a raça, de outra forma. Mais que amor tem um dado simbólico importante", apontou.
Ivano integrou nos anos 1980 um movimento punk em Londrina. O punk na Inglaterra defendia a anarquia e possuía canções de protesto contra a monarquia britânica. "O punk nos anos 80 está na esteira da crítica e surgiu em um contexto socioeconômico da época. A rainha representa uma camada privilegiada e que não sofre com dificuldades que a classe trabalhadora sofre. Era um movimento iconoclasta contra as relações de poder. Naquela época as duas forças, a realeza e a primeira-ministra Margareth Thatcher, eram alvo de crítica dos punks da esquerda, mas hoje o punk virou um estilo, como o rock."

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