Nas memórias do jornalista Antônio Mariano Junior, de 48 anos, os dias que se sucederam ao carnaval de 2013 ficarão marcados para sempre. Com fortes dores na perna e pé esquerdos, ele encontrou o nome da médica Mônica Filgueiras na internet, marcou uma consulta e, pela primeira vez, sentiu que tinha salvado a vida. Diagnosticado com "tromboangeíte obliterante precoce", foi internado em regime de emergência e, após sofrer quatro cirurgias, acabou tendo parte da perna amputada. Apesar da tragédia, superou o ocorrido e passou a se dedicar à reabilitação.
Pouco mais de um ano depois, quando se preparava para quem sabe usar uma prótese e voltar ao trabalho, começou a sentir fortes dores na perna direita. Era uma trombose que já estava perto do pulmão, o que implicava em grandes chances de morte. "Entrei em estado crítico e fui para o isolamento da UTI da Santa Casa de Londrina. Tive duas paradas cardiorrespiratórias. A única solução apresentada era uma cirurgia com 2% de chance de dar certo, que decidi não fazer", conta.
O que se seguiu nesta época foi a formação de uma grande corrente de fé e solidariedade. "As pessoas se uniam para rezar por mim", conta ele, que não apenas sobreviveu como está usando uma prótese e finalmente voltou à rotina. Depois da experiência, Mariano garante que se tornou uma pessoa ecumênica. "Pessoas do mundo inteiro se uniram para rezar por mim. Foi uma experiência muito forte. Hoje, minha fé é inabalável", conta este devoto de Nossa Senhora Aparecida.
A solidariedade também veio em forma de ajuda material. Durante a primeira doença, ele trabalhava informalmente e ficou sem renda. "Um grupo de pessoas se cotizou e me manteve financeiramente. Mal agradeci esta ajuda e adoeci novamente. Fui ajudado por sete meses", revela, enaltecendo o apoio do companheiro José Américo. "Ele me deu a mão e cuidou de mim", diz.
A organização das doações ocorria em um grupo secreto no Facebook. Quando ele tomou conhecimento das pessoas que o integravam, se impressionou ao ver que eram mais de cem. "Estou agradecendo e reverenciando a todos que ajudaram, rezaram pela minha recuperação. O amor é inexplicável", considera.
Diante da experiência, Mariano garante que passou a olhar as pessoas de modo diferente e exercitar a solidariedade. "Tenho uma história bonita, mas os protagonistas são as pessoas que me ajudaram", diz ele, que nutre o sonho de que o grupo formado para ajudá-lo continue apoiando outras pessoas.
Toda a experiência poderá ser conhecida, em breve, no EP "A Mão do Tempo", que ele gravou em parceria com Walter Martins, apenas com canções de compositores londrinenses. "É conceitual, sobre o tempo de cada um", antecipa o jornalista, que produziu o disco como agradecimento e vai doar a renda para instituições filantrópicas. (C.A.)

mockup