HISTÓRIAS DE FELICIDADE 'Quando morrer, quero ser enterrado aqui'
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domingo, 25 de dezembro de 2011
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
''Eu gosto de ficar trabalhando na terra. Não me mudo daqui por nada. Tanto que quando morrer, se puder, quero ser enterrado aqui mesmo para meu espírito continuar com a enxada'', brinca o agricultor Durval Oliveira Bispo, sobre a possibilidade de se mudar para a cidade. A intimidade com a terra é nítida, que depois de uma vida nela, já está incorporada em sua pele.
Natural do interior da Bahia, o agricultor tem uma história de andanças pelo Brasil em busca de uma propriedade. Com 60 anos, acumula lembranças das várias lavouras em que trabalhou. ''Se eu falar tudo que já fiz nessa minha vida vou ficar dias contando. Plantei muito arroz, feijão, café'', diz, mostrando as marcas das mãos carcomidas por enxadas e facões.
Filho de uma família de nove irmãos, passou por fazendas de colônias em São Paulo, Paraná até chegar em Rondônia. ''O frio daqui espantou meu pai. Além da terra de lá, que era muito barata. Ele comprou um tanto e fui para lá tentar a vida também. Na terra em que só se plantava cacau, o agricultor diz que teve a benção de Deus para diversificar. ''Consegui fazer nascer café, milho, feijão, mandioca.''
Para quem chegou com a esposa e os filhos pequenos debaixo do braço e apenas 400 cruzeiros no bolso, as coisas foram melhorando com o tempo. ''Meu pai já não aguentava mais ir para roça. Além do que ele me deu, comprei mais outro pedaço de terra. Fiquei com 21 alqueires no total.'' Isso, entretanto, não foi motivo para segurar a família, que sonhava em voltar para o Paraná, mesmo depois de 17 anos no Norte do País.
Em busca, também, de um pedaço de terra, o filho mais velho de Durval adquiriu um lote, por meio de crédito fundiário, num assentamento na região do Distrito de São Luís (Zona Sul de Londrina). ''Viemos passear e resolvemos ficar por aqui. Vendi tudo lá e comprei 7 alqueires. Terra melhor que essa não existe'', revela ele, que adquiriu dois lotes ao lado do filho, em 2007. Juntos, trabalham em família plantando legumes e, há dois anos, passaram a apostar nas hortaliças.
A diversificação foi possível com a construção de estufas e irrigação, técnicas trazidas pela Emater. ''Agora, conseguimos produzir couve-flor, pepino, repolho. Na estufa plantamos os tomates.'' Com as técnicas, conseguiu aumentar a produção significativamente. Atualmente, abastece um caminhão, três vezes por semana, para a Ceasa, em Londrina. ''Meu filho que toma mais conta disso, de negociar.''
Parceira de décadas, a esposa, dona Alcina, cujas mãos revezam o trato da roça e da casa, compartilha da mesma filosofia de vida. ''Já abanei muita palha de café e soquei muito arroz no pilão quando mais nova. É uma vida difícil, sem fim de semana, sem descanso. Mas hoje temos nossa terrinha, onde, mesmo sem luxo, nunca faltou nada.'' (M.T.)


