HISTÓRIAS DE FELICIDADE Famílias unidas pela terra
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domingo, 25 de dezembro de 2011
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
As mãos calejadas, a pele judiada do sol e os vincos profundos no rosto do roceiro mostram que sua vida no campo não é somente bucólica. O dia de trabalho começa antes do sol nascer e só termina quando já está escurecendo. E, junto com os raios de luz, a esperança de que o dia seguinte seja próspero e de mais labuta. A lida é pesada. Contudo, ''sujar'' as mãos de terra é, para ele, a confirmação de uma relação sagrada.
''Aqui, a gente já nasce e morre trabalhando, fia'', diz a agricultora Olívia Torrezan, estampando um sorriso largo. Aos 64 anos ela conta que viveu praticamente todos eles no campo. ''Não quero outra vida.''
Assim como ela, outros milhares não desejam sair da roça para alguma outra ocupação. De certa forma, parecem criar raízes tal como as plantas cultivadas nas propriedades. Vindos de família com a mesma trajetória rural, agora, os filhos e os netos também dão sequência, ainda que o apelo de mudança para a cidade grande seja forte.
Os familiares de dona Olívia, porém, permanecem quase todos lá, na zona rural de Rolândia: dos quatro filhos, três moram na mesma propriedade ajudando o pai, Mario Torrezan, que durante anos esteve à frente das plantações juntamente com o irmão José Domingos, hoje com 80 anos.
Na propriedade de pouco mais de 8 alqueires plantam soja. Mas a cultura bem mais comum nos latifúndios fica em segundo plano para a família. ''Nosso carro-chefe dos últimos anos tem sido a vaca leiteira. Já temos 23 e 15 estão produzindo.'' Produção que soma cerca de 100 litros diários. O leite tirado duas vezes ao dia, antes revendido, hoje é usado para a fabricação de queijo no próprio sítio. ''Minha filha é quem toma conta. Fazemos uma média de 20 quilos por dia'', conta um orgulhoso pai de família.
Com a assistência técnica da Emater, os Torrezan construíram uma pequena casa, onde são fabricados os queijos artesanais. De nome ''Vitória'', em homenagem à mãe que ficou viúva com os filhos ainda pequenos, o produto ganhou a clientela da região. ''Levo o queijo no mercado da cidade. Agora nós podemos vender porque temos a autorização da Vigilância'', aponta, lembrando dos anos que foram proibidos de revender de porta em porta e nos armazéns. ''Agora tudo é mais fácil.''
Fácil quando se compara a vida de décadas atrás, quando não possuíam maquinários e tudo brotava da força dos braços. ''Para plantar café mesmo, era tudo na mão. Debaixo de sol, tinha que abrir uma vala, enterrar o pé de café e depois cobrir com uma tábua por cima. Hoje os filhos usam o trator e as máquinas para plantar e colher a soja'', resume, olhando para o filho mais novo, que aprendeu a operar o trator aos 13 anos de idade. Com as informações técnicas e modernização triplicaram a produtividade. ''Naquela época a gente não colhia mais 50 sacas de soja por alqueire'', lembra Torrezan.
Sem grandes ambições de enriquecimento, o agricultor que se tornou um pequeno empresário faz planos simples para o futuro na terra em que já vive há mais de 40 anos com a família. ''Quero aumentar, talvez dobrar a produção de leite. Mas não preciso de muito mais, não. Por mim eu fico aqui, tratando das galinhas, das vacas. Tenho esperanças de que os filhos continuem daqui para frente'', conta, saboreando um pedaço de queijo feito na propriedade. ''Esse é do bom''.


