Os advogados Antônio Moraes Barros e João Domingues Sampaio orientaram Lovat no sentido de encerrar a Brazil Plantations Syndicate Limited – do projeto algodoeiro – e criar a Paraná Plantations Company e uma subsidiária, a Companhia de Terras Norte do Paraná, CTNP ou Cianorte. A subsidiária é "pessoa jurídica brasileira, sob a direção de brasileiros em maioria, para ser adquirente e vendedora das terras, em respeito aos melindres nativistas", ressaltou João Sampaio, seu único sócio brasileiro (750 ações integralizadas de uma libra esterlina cada, participação modesta) e presidente desde a fundação até 1944, quando se encerrou a "fase inglesa".
Infere-se, da narrativa de Alexandre Beltrão, que a grande e veloz povoação não haveria se as terras permanecessem com os antigos concessionários. "A ampliação gradativa dos projetos ligados à colonização (…) exigiam a aplicação de novos e crescentes investimentos dos capitalistas ingleses a fim de consolidar em definitivo os rumos da Cianorte, o que foi realizado a partir de 1929", observou Alexandre.
O método da Cianorte – servindo de base a outras imobiliárias – determinou a ocupação de toda a macrorregião norte-noroeste em 40 anos, inigualável frente pioneira na América do Sul. A população do Paraná cresceu seis vezes no período 1930-1970, de 890 mil habitantes para 6,9 milhões e destes, mais de 51% (3,5 milhões) ao norte, a maior zona produtora de café no mundo.
Entre 1925 e 1928 a empresa incorporou 515.017 alqueires, a maior parte adquirida de concessionários, aos quais pagou "até duas e três vezes"; a seguir negociou com o Estado a titulação definitiva. No período, a demarcação das áreas exigiu a abertura de "580 quilômetros de picadões, de picadas e de linhas de exploração" - anotou Alexandre Beltrão.
Depoimentos de Gastão de Mesquita Filho e João Sampaio e constatações posteriores permitem uma síntese: criada à semelhança da Companhia de Terras, Madeiras e Colonização de São Paulo – em Birigui –, a Norte do Paraná ampliou em Londrina o bem-sucedido modelo do noroeste paulista.
Lovat não chegou a ver o melhor resultado, pois morreu em 1933, e a fase inglesa terminou em 1944, com a venda do empreendimento a brasileiros. Até 1943 haviam sido vendidos apenas 110 mil alqueires, cerca de 23%, constatou Maria Helena Jarreta (trabalho de pós-graduação no Cesulon). Efetivou-se a venda no primeiro semestre de 1944, da colonizadora e seu patrimônio e a ferrovia, aos grupos de Gastão Vidigal, Gastão de Mesquita Filho, Arthur Bernardes Filho e Irmãos Soares Sampaio por 1 milhão e 520 mil libras esterlinas.
Os sucessores acrescentaram 30 mil alqueires (totalizando 546.078) e mudaram o nome para Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, em 8 de fevereiro de 1951. (W.S.)

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