HISTÓRIA - O "titã" Farquar lamentou não ter antecedido a Lovat
No Brasil é um tanto recente a notícia de que a Cianorte causou a admiração e até um arrependimento do megainvestidor Percival Farquhar, que teve 5,6 milhões de hectares, inerentes às suas ferrovias no Brasil, entre as quais a Madeira-Mamoré e a São Paulo-Rio Grande, mas não realizou algo semelhante ao legado de Lovat em cerca de 1,1 milhão de hectares, o Norte Novo de Londrina. Desde a publicação nos Estados Unidos, a biografia "Percival Farquhar O Último Titã", de Charles Anderson Gauld, só foi traduzida no Brasil 40 anos depois (2005), por Eliana Nogueira do Vale, para a Editora de Cultura, que pôs o livro à venda em 2006.
Fato particularmente interessante: a editora do texto é a londrinense Mirian Paglia Costa, que agregou notas para ampliar o alcance das citações, "pensando em poupar ao leitor a busca em variadas fontes e os perigos da distração". Mirian participou dos primeiros festivais de música e poesia de Londrina e se formou na UEL.
"Um dos mais persuasivos empreendedores do ramo ferroviário na história econômica das Américas", o norte-americano Percival Farquhar (1864-1953) "deu-se conta, na velhice, do erro em não ter partido para desbravar o promissor Vale do Paranapanema e em não ter ampliado imediatamente a Sorocabana, em 1909 e 1911, para promover a colonização naquele local", conforme a narrativa do biógrafo. "Se tivesse feito isso, pensava, é quase certo que teria se inspirado a construir uma linha até o interior do fabuloso norte do Paraná com sua terra roxa" - antes que lorde Lovat o fizesse.
Lovat deu continuidade à Estrada de Ferro São Paulo Paraná, natural prolongamento da Sorocabana na região. Admirador da ousadia, Farquhar achava lamentável o grupo de Lovat ter sido obrigado, às vésperas do período de maior lucro, vender o empreendimento "a brasileiros sonegadores de impostos, por uma fração do que ia valer depois".(W.S.)





