HISTÓRIA - E lá estava o modelo ideal
....Os três primeiros à esquerda pela ordem: lorde Lovat, Arthur Thomas e José Marcondes. Ao centro (de óculos escuros), Robert Clark. Reprodução no livro "Londres-Londrina", em que a legenda da foto menciona só Lovat e Marcondes, "à margem do Paranapanema"
Comitiva da Federação dos Produtores Associados de Fios e das Indústrias do Algodão Superior (tradução aproximada) do Reino Unido, com a sede em Manchester, tinha viajado pelos estados produtores no Brasil entre março e setembro de 1921, com um objetivo especial: a colonização sui generis de que surgira Birigui.
A Companhia visava principalmente aos imigrantes com economias do trabalho nas fazendas de café. Em 1921 já estavam ocupados 32 mil alqueires por 1.760 famílias: 40% italianos, 30% japoneses, 25% espanhóis. As demais se compunham de alemães, poloneses, austríacos, franceses, americanos, portugueses e brasileiros. "As melhores terras para o café", mote principal.
Parece evidente que Lovat chegou a Birigui orientado pelo relatório de Arno S. Pearse, secretário-geral da Federação, abrangendo todos os aspectos. "Clima excelente", com a ressalva de que "não há chuva suficiente para o algodão"; mas o café, atingido pela geada destruidora de 1918, voltara a crescer "muito vigorosamente em 2 anos e 8 meses", na altitude de 400 metros, aquém da ideal, 600 metros.
Robert William Clark era o presidente da Cia. São Paulo, fundada em 1912 por 10 sócios, entre os quais Manoel Bento da Cruz e o inglês James Mellor, engenheiro formado em Manchester, naturalizado brasileiro e que fora prefeito de Penápolis.
Infere-se de uma fotografia no livro "Londres-Londrina" (José Jofilly, 1985) que Clark tenha apresentado Lovat a José Soares Marcondes, concessionário de 350 mil alqueires na margem esquerda do rio Paranapanema, a maior das glebas que seriam adquiridas pela Cianorte. Os três estão em frente a um rancho beirando o Paranapanema. Clark não é mencionado na legenda.
Restrita a 60 mil alqueires, a Cia. São Paulo cessou nos primeiros anos de 1930, mais de 2.000 famílias haviam chegado. Foi a "executora de todo o loteamento das terras de Birigui, Bilac, Coroados e parte de Araçatuba, entre as vertentes do rio Tietê e do rio Feio, atravessadas pela Estrada de Ferro Noroeste, divididas em lotes de 10, 20, 50, 100 e 200 alqueires".
Outra peculiaridade: "cada lote, independente de seu tamanho, com uma divisa em um rio, garantindo o suprimento de água; e outra no espigão da gleba, terminando em uma estrada, garantindo livre acesso à propriedade." (W.S.)





