Heróis nacionais - Quatro pracinhas, três experiências de guerra
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 2014
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O período entre 30 de junho de 1944 e 8 de maio de 1945 (quando terminaram as operações militares em solo europeu) influenciou para sempre a vida dos brasileiros convocados para a guerra. A seguir, quatro ex-integrantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) falam da experiência que jamais saiu de suas memórias. Solícitos, José, Faustino, João e Antonio não se furtaram a dar longos depoimentos à reportagem, cientes de sua importância para a história do País e a despeito da dor que ainda sentem ao mexer nesta ferida. Dos quatro, três combateram com armas em punho. Destes, ouviu-se a mesma constatação: "A guerra é uma estupidez".
Antonio Ferreira Dantas, 94 anos, é o único destes ex-combatentes que ficou em solo brasileiro. Por ironia, era o único que tinha o desejo de participar de um combate. Não conseguiu. Suas pernas tortas o salvaram. "Eu morava em Salgueiro, no interior de Pernambuco, com minha família e fazia serviços sem importância, porque não tinha estudo. Me apresentei como voluntário no Exército, e acho que eles tiveram pena da minha situação. Me disseram que me mandariam para a guerra como 'bucha de canhão', mas graças a Deus foi o contrário, no fim eu me dei muito bem."
Antonio, que após a guerra morou em vários lugares, trabalhando na construção de estradas, serviu à FEB em Fernando de Noronha (PE). Ali permaneceu por dois anos em alerta, ajudando a impedir ataques de possíveis inimigos. "Não sou ex-combatente de fogo, mas ex-combatente praiano", orgulha-se. No final de 1946 ele deixou a ilha e foi trabalhar na roça. Depois de muitas idas e vindas, fixou residência em Marilândia do Sul (Centro-Norte), onde mora até hoje com um filho. O pernambucano ainda pensa em como seria se tivesse embarcado para a Itália. "Gostava muito do movimento de guerrilha, queria ter ido, mas não pude, os médicos não me deixaram", diz, resignado.


