No ano passado, o piloto e mecânico de helicópteros José Flávio Barreto, de 50 anos, resolveu se mudar de Paraguaçu Paulista (SP) para Londrina. Motivo: ele acredita que o mercado está crescendo na região e há uma demanda por serviços. "Aqui não tem oficina de helicópteros ainda. Dependendo do tipo de conserto, os proprietários têm que chamar mecânicos do Rio ou São Paulo", argumenta, revelando que a cidade já conta com seis helicópteros. Até dois anos atrás não havia nenhum. "Na hora que o londrinense descobrir as vantagens deste meio de transporte, muito mais gente vai ter", aposta o piloto, revelando, porém, que o custo exige fôlego financeiro: os preços partem de US$ 300 mil (para dois passageiros) e US$ 650 mil (para quatro passageiros) e vão subindo de acordo com a marca e o modelo.

Barreto conta que comprou sua primeira aeronave em 2000, e atualmente voa pelo Brasil inteiro, transportando principalmente proprietários e técnicos de usinas de álcool para que façam vistorias nas extensas plantações de cana. Atualmente ele se dedica também ao projeto de montar uma escola de pilotagem de helicóptero e assessoria para compra deste tipo de aeronave. "As possibilidades do helicóptero são muitas, inclusive para uso profissional. Ele oferece rapidez e possibilidade de pousar em áreas menores." Esta versatilidade, de acordo com o piloto, também faz dele um veículo mais seguro para uso em intempéries.

O empresário e agropecuarista londrinense André Carioba confirma as vantagens do helicóptero, que ele experimentou por pouco mais de um ano, enquanto durou a sociedade formada para a compra compartilhada de uma aeronave. Mesmo com a sociedade desfeita, ele defende esta forma de aquisição. "A aviação compartilhada já é bastante comum em centros como Rio e São Paulo. É uma forma de pulverizar os custos e permitir que a aeronave voe mais, facilitando a manutenção", reconhece.

Carioba já planeja adquirir um novo helicóptero no ano que vem. "Fui piloto de avião muito tempo, meu pai teve várias aeronaves. Mas gostei muito das facilidades do helicóptero. É uma ferramenta espetacular para voos mais curtos. Como trabalhamos com redes de supermercados, é muito interessante para levarmos os compradores até as áreas de cultivo, sem perda de tempo, até porque com helicóptero é possível pousar em quase todo lugar", afirma Carioba, hoje o maior produtor na América do Sul de tomate por meio de plasticultura (estufa).

Para o agropecuarista, o crescimento da aviação geral tem a ver com as dimensões continentais do País e com os poucos horários de voos comerciais fora das capitais. "É muito complicado ficar à mercê das necessidades de lucro das companhias aéreas." Ele faz a ressalva que o custo de ter a própria aeronave ainda é muito alto no Brasil, mas ainda assim acha que vale a pena. (S.L.)

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