HC convoca parentes para mapear doença
Desde que a causa genética do câncer no córtex da glândula supra-renal passou a ser conhecida, o Departamento de Endocrinologia do HC passou a se preocupar em prevenir o aparecimento de novos casos dentro de famílias já afetadas pela doença. Assim, os familiares das 112 crianças que já passaram pelo hospital estão sendo chamados para fazer testes de DNA e identificar os portadoers da mutação.
É esse o caso da doméstica Marli, 32 anos, residente em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Há quatro anos, sua filha de 1 ano e 8 meses começou a apresentar pêlos no pubis, o clitóris aumentou e a doença foi diagnosticada. Em seguida, foi submetida à cirurgia. ''Hoje ela tem 6 anos e ficou totalmente curada'', diz a mãe. Testes de DNA dos familiares, no entanto, acabaram mostrando a presença de genes mutantes em duas outras filhas, de 3 e 8 anos.
O HC já identificou 22 crianças até 15 anos, a maioria com menos de 5 anos de idade, que estão se submetendo periodicamente a exames clínicos, de laboratório e de imagem porque têm mutação no gene. ''Se uma dessas crianças vier a desenvolver a doença, elas terão praticamente 100% de chances de serem totalmente curadas'', diz o endocrinologista Romolo Sandrini.
Há 32 anos, a cura era de apenas 60%, índice que passou para uma média de 80% dos casos que se submetem à cirurgia para extirpar o tumor. Já no estágio mais avançado da doença a sobrevivência cai para apenas 3%.
A intenção da equipe do HC é estender a pesquisa e convocar familiares de doentes que tenham sido tratados em outros hospitais. ''Só assim vamos poder fazer um mapeamento completo'', diz o médico Bonald Figueiredo, que acredita que em todo Estado eles podem atingir um universo de cerca de 500 ex-pacientes.
Numa segunda etapa, a pesquisa será dirigida a descobrir se essa mutação pode ser responsável também por outros tipos de neuplasias. ''Nos Estados Unidos existe essa relação, mas aqui isto ainda não foi constatado'', diz.





