Antes de se mudar de vez para o puxadinho atrás do Boulevard Shopping, a desempregada Maria de Oliveira Cardoso chegou a morar com o pai, numa casa localizada no Jardim San Rafael, perto do Marco Zero, na zona leste de Londrina. Saiu de lá, segundo ela, porque os desentendimentos com ele, alcoólatra, eram constantes.
Maria tem seis filhos e não mora com nenhum deles. A mais velha, de 18 anos, se casou, dois vivem com o pai deles, um foi encaminhado pelo Conselho Tutelar a uma creche, um mora com a madrinha, e o outro, com uma tia. Ela conta que o programa assistencial Sinal Verde, da Prefeitura de Londrina, até já a ajudou a providenciar documentos pessoais. Mas Maria, por enquanto, prefere ficar onde está. "Meu maior desejo é tirar meus documentos e ter uma casa", diz ela, que não está cadastrada na Cohab de Londrina.
No dia em que a FOLHA esteve em seu barraco, Maria tinha a companhia de mais três moradores de rua, um deles um travesti que se dizia soropositivo. O grupo relata que se alimenta pedindo comida na rua e que às vezes missionários da Toca de Assis passam por lá para oferecer refeição. Eles dizem à reportagem que precisam de panelas e velas, porque não há energia. Para tomar banho, Maria conta que usa a casa do pai. Indagada se não tem medo de morar em um lugar tão vulnerável, ela diz que não. "Eu moro com Deus", responde. (D.P.)

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