As estatísticas sobre o nascimento de filhos de mães adolescentes no Brasil escondem uma triste realidade. Apesar dos índices gerais apontarem significativa diminuição de nascidos vivos entre mães de 10 a 19 anos, a análise dos dados referentes apenas à população com menos de 15 anos revela que, entre as mais jovens, quase não houve avanços. Em algumas regiões, a situação até se agravou. É o caso do Paraná, onde aumentou o número de meninas nesta faixa etária que se tornaram mães entre os anos de 2011 e 2012.
De acordo com o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), em dez anos, de 2001 a 2011, no Brasil, o índice de nascidos vivos entre mães de 10 a 19 anos caiu 22,62%. Entre as meninas de 10 a 14 anos, porém, a queda foi de apenas 0,5%, o que significa uma redução de 146 nascimentos no universo de 27.931 registros em 2001. Entre as mães de 15 a 19 anos, ao contrário, a queda é de 23,5%.
No Paraná, as informações mais atualizadas da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) revelam que, de 2011 para 2012, houve aumento de 8,64% nos nascimentos de filhos de meninas com 10 a 14 anos. Já o Datasus indica, de 2001 a 2011, queda de 23% entre os nascidos vivos de adolescentes paranaenses de 10 a 19 anos, apontando harmonia com a média nacional. Entre as meninas com menos de 15 anos, nesse período analisado pelo SUS, a redução foi de 17%.
Para a oficial de projetos do Programa de Cidadania do Adolescente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Ludimila Palazzo, a manutenção e em alguns casos aumento nos números referentes às taxas de gravidez entre garotas de até 15 anos é muito preocupante por se tratar de uma violação de direitos - de acordo com a legislação brasileira, as relações sexuais antes dos 14 anos são classificadas como estupro de vulnerável. "Mas não é papel do Unicef condenar ninguém. Estamos aqui para zelar pelos direitos da adolescente – seja aquela que está gravida, seja aquela que já é mãe – e de seu filho", observa Ludimila.
Segundo ela, outra grande preocupação do órgão é que pesquisas apontam que 73% das adolescentes que têm filhos no Brasil abandonam os estudos, reduzindo as oportunidades futuras. "Além disso, do total de meninas que deixam a escola, 28% é porque estão grávidas. Acreditamos, porém, que o direito de continuarem a estudar deve ser garantido", observa a representante do Unicef, ressaltando que a gravidade do problema é diretamente proporcional às condições de vida das adolescentes. As que vivem em situação de vulnerabilidade social correm mais riscos de ter filhos precocemente, embora o fenômeno esteja presente também entre as meninas de classe média e classe média alta.
A oficial de projetos do Unicef afirma que para mudar este quadro é preciso o envolvimento das escolas, famílias e mídia, que devem trabalhar para que a sexualidade se desenvolva de forma saudável. "Este é um papel coletivo." Ludimila defende ainda a necessidade de oferecer às adolescentes serviços preparados para recebê-las, inclusive com iniciativas voltadas à prevenção. "É preciso oferecer serviços de saúde que sejam mais eficazes durante a transição da infância para a vida adulta. Estes serviços precisam ser aperfeiçoados para atender de fato as necessidades dos adolescentes." Para isso, ela defende que as mudanças sejam pensadas juntamente com os garotos e garotas, garantindo o atendimento de suas demandas.

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