Assinado por Claudia Ortenzi, o banheiro do adolescente oferece um espaço para leitura e relaxA modernidade, o bom gosto e o conforto são, sem dúvida, indispensáveis num trabalho que reúne mais de duas dezenas de arquitetos, decoradores e paisagistas 30 ambientes do casarão que abriga a Mostra. É o exercício da criatividade desses profissionais que possibilita constatar a grande tendência que se manifesta em todos os ambientes: a casa contemporânea não admite mais espaços sem função. Cada ambiente tem múltiplos usos, cada cantinho um detalhe diferente. Na valorização racional dessas áreas, o conjunto ganha importância e cumpre o destino que lhe foi dado.
Paz e luminosidade no gazebo de Álvaro Côrtes. A mesa com pés em forma de peixe é obra da artista plástica Letícia Faria
Para a arquiteta Sandra Whiby, que coordenou durante dois meses a movimentação dos arquitetos envolvidos na produção dos cenários, está ocorrendo uma grande transformação na área de decoração de interiores. Segundo ela, os profissionais estão se conscientizando, cada vez mais, que o dono do espaço é o cliente. ‘‘O bom arquiteto é aquele que sabe ajustar o espaço ao homem conforme suas expectativas, seu modo de vida e seu jeito de ver e sentir o mundo’’, define Sandra, responsável também pelo escritório virtual da casa.
Estantes com divisões cambiáveis para guardar sapatos e outros objetos, no corredor do closet assinado por Ebe Simoni
A arquiteta acrescenta que neste ajuste de contas entre o homem e o espaço que ele habita, os profissionais de estilo procuram equipar a casa com elementos úteis, mais próximos à realidade. ‘‘O homem, por sua vez, vive hoje outro contexto: a violência, o medo e o próprio stress cotidiano fizeram com que ele ficasse mais em casa nas horas de lazer, curtindo seu espaço, sua família e recebendo os amigos numa atmosfera aconchegante’’.
Novo uso para um objeto antigo: o velho baú vira mesa lateral no quarto do casal, criação de André Sell e Wagner
A arquiteta cita a televisão como exemplo. ‘‘Assim que surgiu no mercado, o aparelho de TV ficava no centro da sala, reunindo a família a sua volta. Depois, com a proliferação de modelos e a facilidade em adquiri-los, cada cômodo tinha sua TV. Hoje, entretanto, numa espécie de retorno às origens, a televisão volta a ocupar seu lugar na sala, o ambiente mais nobre da casa’’, argumenta ela.

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