GRANDES EVENTOS - É preciso atenção a medidas sanitárias
Conforme o médico Jaime Rocha, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), ainda que os grandes eventos representem um contexto propício de transmissão de vírus e bactérias, isso ocorre constantemente, porque as pessoas viajam mais. Por isso, medidas sanitárias ainda são a principal forma de contenção. "A transmissão da NDM-1 se dá de maneira fecal-oral. Um indivíduo pode conter a bactéria e não apresentar sintomas. Mas, pode contaminar o ambiente, além da água e utensílios. Por este motivo, a expansão de bactérias acontece em locais de menor qualidade sanitária."
Ele afirma que são medidas simples, mas eficazes e que devem ser constantes. "Na época de surto da H1N1 no Brasil, devido aos cuidados da população, percebeu-se também a diminuição de outras doenças transmitidas da mesma forma, como conjuntivite e diarreia", lembra. Porém, o infectologista não descarta a importância de mais linhas de prevenção. "Além do uso racional de antibióticos e drogas mais novas, precisamos pensar em vacinas contra essas doenças. É uma luta constante da medicina e da indústria farmacêutica", complementa.
Káris Rodrigues, da Sociedade Brasileira de Medicina de Viagem (SBMV), argumenta que, embora até o momento os casos relatados envolvam pacientes hospitalizados, há certamente o risco de que indivíduos - albergando esses agentes entre as bactérias de seu intestino - possam contaminar o ambiente em que vivem. "Esse risco será maior em locais com más condições de saneamento. Não por acaso, trabalhos que investigam a colonização por bactérias multirresistentes nos intestinos de viajantes, após o retorno, detectam bactérias resistentes com maior frequência em pessoas que viajaram para a Índia."
Por este motivo, indivíduos saudáveis e assintomáticos também podem se contaminar, sem apresentar problemas. "No entanto, quando o micro-organismo se dissemina e coloniza um outro indivíduo que tenha condições que favoreçam o desenvolvimento de uma infecção, ele corre sério risco de não conseguir controlar o processo, por falta de medicamentos com ação eficaz sobre a bactéria", esclarece.
Hospitais
A infectologista Ana Gales, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também alerta para o controle rígido sanitário, principalmente em ambientes hospitalares, já que os pacientes de doenças de base graves, estão mais vulneráveis. "O número de funcionários para atender os pacientes está diretamente ligado ao controle dessas bactérias. Deve haver higienização das mãos a cada atendimento. Já o indivíduo com suspeita, deveria ficar totalmente isolado até que se tenha certeza da presença ou não do micro-organismo. Medidas que não acontecem em hospitais públicos devido a falta de espaço e superlotação." (M.T.)





