'Graças a Deus, a gente pode dormir tranquilo'
Antônio Julião do Nascimento, uma das vítimas das quadrilhas, elogia a organização dos agricultores em torno do Conseg. ''Agora, graças a Deus, a gente pode dormir tranquilo e a situação está controlada nos sítios.'' Ele conta que antes, quando algum agricultor pedia socorro, os policiais levavam de 10 a 12 horas para atender a ocorrência.
Bernhard Herbert Lingnau, outra vítima de assalto, afirma que o modelo de trabalho desenvolvido em Guaíra é uma inversão de valores, com o cidadão tendo que arcar com o que seria a obrigação do Estado. ''O conselho é uma força muito grande de auxílio à polícia no sentido moral e financeiro. E também para os agricultores, que contribuem mensalmente com gosto, pois um Estado falido como o nosso não cumpre com sua obrigação constitucional, que é garantir a segurança'', reclama.
Lingnau sofre até hoje com sequelas deixadas por uma coronhada que levou durante o assalto ocorrido no dia 19 de janeiro de 94 na fazenda que possui na Comunidade Bandeirantes. Ele passou a sofrer convulsões e é obrigado a tomar dois tipos de medicamento para disritmia cerebral. Os ladrões levaram moto, caminhonete e aparelhos eletrodomésticos.
Sérgio de Pádua e a mulher, Helena Schanaider, foram vítimas de dois assaltos e duas tentativas, uma delas com troca de tiros com a quadrilha. ''Da primeira vez levaram um fusca e uma arma que a gente tinha em casa'', relata a agricultora. Em 94, os assaltantes roubaram um trator, uma motocicleta, entre outros objetos. ''Não dá pra esquecer tanta violência que passamos, ficando da uma e meia da madrugada até as seis horas presos dentro do banheiro'', afirma.
A família teve que se mudar para a propriedade de vizinhos que os ajudaram, emprestando trator e maquinário para plantar as safras seguintes. ''Agora a gente pode até tomar chimarrão aqui na varanda quando escurece'', desabafa Helena. (D.R.B)





