Um indício de que a avalanche de produtos chineses no comércio nacional é uma preocupação do governo foi a decisão da Câmara de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Camex) de aprovar medidas antidumping. No início do mês, o alvo foram seis países - China, Arábia Saudita, do Egito, dos Emirados Árabes, Estados Unidos e do México. Entre os produtos que terão a importação sobretaxada está o porcelanato para piso. Em janeiro, medida de antidumping já havia sido tomada para a importação de artigos de louça de mesa produzidos na China. A decisão, que vale por até cinco anos, é comemorada pela indústria cerâmica.

"Conseguimos o antidumping, mas o mercado está ruim, não está comprando. Temos os próximos quatro anos para nos recuperar", afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Vidros, Cristais, Espelhos, Cerâmicas de Louça e Porcelana, Pisos e Revestimentos Cerâmicos do Paraná (Sindilouça-PR), José Canisso. Por outro lado, o empresário afirma que o setor sofreu tanto nos últimos anos com a invasão dos produtos chineses que se viu obrigado a se reestruturar e melhorar a qualidade dos produtos. "Chegamos a perder 60% do mercado para a China", revela.

Segundo Canisso, as louças asiáticas chegavam com preços até 60% menores, mas em compensação não tinham a mesma qualidade dos produtos brasileiros. "Agora, com a sobretaxa, os preços estão equiparados. Como temos a vantagem da qualidade e da possibilidade de reposição, acreditamos que vamos conseguir nos reerguer." (S.L.)

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