Pelo menos 38 moradores de Ubiratã (96 km a sudoeste de Campo Mourão) foram enganados por um golpe que prometia levar pessoas sem descendência japonesa para trabalhar no Japão. O delegado da cidade, Joaquim Antônio Figueiras, que abriu inquérito para apurar o caso, afirma que o número de vítimas pode ser ainda maior.
As vítimas de Ubiratã pagavam de R$ 7 mil a R$ 9 mil para que a documentação fosse providenciada. Elas contaram à polícia que não sabiam que os documentos eram adulterados para lhes dar descendência japonesa. A agente comunitário Maria Inês Bondezan chegou a pedir demissão da prefeitura, em fevereiro, para fazer a viagem, o que nunca aconteceu.
‘‘Pedi a conta no serviço porque me deram certeza que eu teria emprego no Japão’’, conta Maria Inês. Ela disse que pagou R$ 7 mil em dinheiro – R$ 3 mil em novembro e R$ 4 mil em março – para o vereador Carlos Joaquim Ribeiro Lima (PMDB), que também é gerente da agência local dos Correios. ‘‘Tinha confiança nele’’, admitiu.
Maria Inês chegou a vender um carro e a contar com a ajuda de familiares para conseguir o dinheiro. A mesma coisa foi o mecânico João Antônio Gazi, que vendeu um carro para arrumar os R$ 14 mil que precisava para ele e um filho irem trabalhar no Japão. Todos dizem que não sabiam que os documentos eram adulterados.
Segundo a polícia, algumas pessoas conseguiram embarcar para o Japão e até trabalhar no Japão, mas tiveram que voltar embora na hora da renovação do visto, quando a falsificação nos documentos foi descoberta. Em outros casos, a adulteração nos documentos foi descoberta logo após a chegada ao país, o que forçou um retorno imediato.
O vereador Carlos Lima, que está em primeiro mandato, não quis prestar depoimento à polícia de Ubiratã. Disse que vai falar apenas em juízo. A Folha tentou falar três vezes com ele durante a semana na agência dos Correios, mas funcionários disseram sempre que ele não estava no local. Na sexta-feira, a informação foi de que Lima entrou em férias.

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