Gestão Temer - Novo governo leva otimismo a empresários
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sábado, 14 de maio de 2016
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
Os empresários estão muito otimistas quanto à capacidade de o governo interino dar início à recuperação da economia. Na avaliação deles, a posse de Michel Temer já gerou um "efeito psicológico" para as empresas. O próximo passo será a retomada dos investimentos. Há quem acredite também que o consumidor voltará a comprar porque estaria se sentindo mais seguro com o afastamento de Dilma Rousseff.
Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Ary Sudan considera o início do novo governo um "alento". "O presidente tem todo um discurso focado na recuperação da economia. A situação do País estava piorando cada vez mais. Agora temos expectativa de um futuro melhor", declara.
Sudan acredita que o governo está trabalhando com a ideia de não aumentar impostos. "Mas, se tiver um novo imposto que ninguém deseja, deverá ser por falta de alternativa." Para o empresário, a economia "tem muito de expectativa". E a posse de Temer deve fazer com que os bancos comecem a soltar dinheiro e os empresários voltem a investir. "Acho que vamos caminhar bem nos próximos dois anos."
Ele também tem expectativa de que o governo interino faça a reforma trabalhista. "As leis trabalhistas viraram arapuca para nós. Começamos a criar tantos direitos que, no fim, a situação se voltou contra os próprios trabalhadores", acredita. Sudan defende que, entre outras coisas, os empregados possam ser responsabilizados quando movem ações trabalhistas. "Se perdem um processo, devem pagar os honorários. Precisam assumir risco". Com isso, ele acredita que haverá uma redução do número de processos.
O empresário ainda defende um limite de valor para as indenizações. "Há várias medidas que precisam ser tomadas, inclusive aprovar o projeto de terceirização. A legislação hoje nos deixa engessados. Precisamos de incentivos para empregar mais e com mais tranquilidade."
O presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Moacir Sgarioni, elogia a escolha do ministro da Agricultura, Blairo Maggi. "Trata-se do maior produtor de grãos do mundo, foi governador (de Mato Grosso), senador da República. Tenho certeza que vai fazer um trabalho bom no ministério", afirma. Sem conhecer as propostas para o setor, que não foram divulgadas, ele diz esperar que o governo valorize o agronegócio. "Quando o Lula estava para vencer a primeira eleição, vários produtores compraram apartamentos nos Estados Unidos, pensando em ir embora do País. E o Lula, curiosamente, teve a capacidade de reconhecer que o agronegócio iria fazer a diferença na economia brasileira", declara.
Pelo raciocínio do presidente da SRP, se o petista Lula agiu dessa forma, não há por que esperar outra coisa de Michel Temer. "Não acredito que nenhum governo vá deixar de fazer esse reconhecimento, se a própria ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que o Brasil irá produzir 40% do alimento de todo mundo", ressalta.
Questionado se teme um aumento de invasões de terra pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, com o PT na oposição, ele responde: "Tenho receio sim, mas prefiro acreditar que o MST hoje não reúne liderança suficiente para provocar esse processo de invasão de terra. Se ocorrer, será uma questão de segurança nacional, que alguém terá de intervir", declara.
Sgarioni também diz esperar que Temer "fiscalize" os programas sociais. "O modelo de distribuição de renda está superado e, além disso, há denúncias de fraudes (no Bolsa Família)." Sem dizer exatamente o que espera em relação à questão indígena, o presidente da SRP critica o fato de hoje os índios terem "13% da terra" no Brasil. "Eles não querem terra pra trabalhar."
Já o presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Irineu Munhoz, declara não esperar qualquer medida específica para o setor, por enquanto. "Sabendo da realidade econômica do País, não esperamos nenhum tipo de subsídio ou redução de impostos." Por outro lado, para ele, a posse do presidente interino representa o início da retomada da economia. "O novo governo traz confiança para o consumidor voltar a comprar e o empresário voltar a investir. Temos um cenário positivo", avalia.
Planejamento da matriz energética brasileira é o que espera o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado do Paraná (Sialpar), Miguel Rubens Tranin. "Precisamos saber qual será a participação do etanol no futuro do País, para que possamos nos planejar também." Para ele, apesar de ter apresentado algumas medidas para o setor, como o aumento da mistura do etanol na gasolina, o governo Dilma estava "desgastado e desacreditado".
Trannin acredita que a posse de Temer gerou um "efeito psicológico" para as empresas. "Primeiro o empresário se sente seguro. O próximo passo é investir, ampliar sua capacidade de produção." Ele considera que a sociedade "tem a obrigação de acreditar no novo governo".


