Gastos do governo preocupam entidades
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná, Sandro Silva, afirma que é o momento de se discutir uma reforma tributária, mas é preciso qualificar a discussão. Ele considera que a maior parte das medidas anunciadas para conter a crise econômica continua a recair sobre os mais pobres. "Quando o governo mexeu no seguro desemprego, votaram rapidamente, mas quando se fala em acabar com a desoneração da folha de pagamento, que diminui o lucro das empresas, criam problemas."
Para Silva, o governo deveria reduzir gastos em juros e aumentar em investimentos. "Grande parte do orçamento público vai para pagar juros e amortização de dívidas, com uma arrecadação que é feita em cima dos mais pobres", completa, ao criticar a taxa Selic em 14,25% e a renúncia fiscal ao subsidiar o setor privado.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, concorda que é preciso que os de maior renda paguem mais impostos. Porém, diz não ter certeza se tributar o lucro de pessoas físicas ajudará. "O problema é o governo retirar esse dinheiro do mercado para pagar sua ineficiência", afirma, ao considerar que preferiria comentar um estudo que buscasse maior eficiência nos gastos públicos, e não maior arrecadação.
O economista Maurílio Schmidtt, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), lembra que é preciso elevar a taxa de poupança no governo, para financiar os investimentos. "Começamos o Plano Real com 24% de imposto sobre o PIB e hoje estamos em 34%, mas não vemos retorno", diz. Ele considera que toda desoneração do consumo interessa ao setor produtivo, porque gera aumento nas vendas. "A calibragem para transitar da tributação sobre empresas para pessoas físicas é que é complexa." (F.G.)





