‘‘Já perdi tênis, bolsa e casaco. Entreguei tudo (a assaltantes) quando ia ou voltava da escola.’’ O relato é do estudante F.G., 16 anos, que estuda na Escola Estadual Luiz Arossi, no bairro Boqueirão, em Curitiba. O rapaz disse que este ano deverá pagar ‘‘pedágio’’ às gangues para poder terminar o segundo grau.
Segundo a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), as agressões contra estudantes são comuns. ‘‘A falta de segurança nas escolas é sinal da ausência de policiamento nos bairros que têm colégios’’, avalia o presidente da Upes, Edmir Reginaldo Maciel. No entanto, o setor de Comunicação da Polícia Militar garante que existe segurança perto das escolas.
Maciel rebate as afirmações da PM. Ele diz que as escolas de periferia em Curitiba e nas cidades da Região Metropolitana apresentam a maior incidência de agressões contra alunos no Estado. Um exemplo acontece no Jardim Apucarana, em Almirante Tamandaré. Lá, na escola estadual de mesmo nome, os assaltos são frequentes. ‘‘Tem um ponto aqui perto onde acontecem assaltos ou são vendidas drogas aos alunos’’, denuncia o professor de História Luiz Romeiro Piva.
O interior do Estado também registra casos de violência. ‘‘As agressões são diferentes conforme o local’’, avalia Miguel Angel Baez, secretário de Comunicação da APP-Sindicato (entidade que congrega professores e profissionais do setor de ensino). Segundo a Upes, há casos de agressões na Escola João Paulo I, em Pinhão (40 quilômetros ao sul de Guarapuava). No local, por causa dos conflitos agrários, os alunos já presenciaram tiroteios dentro da escola. ‘‘Eles têm medo de qualquer barulho’’, diz Maciel.
O major João Jaime Cabral, responsável pelo Comando 12º Batalhão e da área de Comunicação da Polícia Militar, diz que são poucos os registros de violência contra estudantes. Mas a PM não aceitou repassar à Folha a tabela de incidentes em escola, alegando se tratar de informações estratégicas.
A reportagem só obteve os números de ocorrências de 2000 em Curitiba. A cidade registrou 3.040 ocorrências, em 75 bairros. A maior quantidade é da região central, seguida pelos bairros Boqueirão, Uberaba e Cajuru. Entre as ocorrências mais frequentes estão pertubação do sossego, briga e furto qualificado. ‘‘Os registros da Polícia não levam em conta os números reais. Quem é ameaçado não denuncia’’, diz Edmir Maciel, da Upes. ‘‘O problema é muito maior do que as estatísticas mostram.’’ (I.R.)

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