Futuro piloto gasta R$ 60 mil em horas de voo
Embora seja uma das mais promissoras do mercado, a carreira de piloto de aviões e helicópteros exige dedicação, vocação e uma soma considerável de recursos financeiros. Há quatro anos Weslley Fernando Lopes, de Cianorte (Noroeste), resolveu investir neste sonho, que começou a embalar na infância. "Sempre gostei muito de avião. Aos 15 anos comecei a me dedicar ao aeromodelismo.
Em 2010 comecei a pesquisar e descobri o curso em Londrina", diz ele, que está prestes a concluir as horas obrigatórias de voo no Curso de Ciências Aeronáuticas da Universidade Norte do Paraná (Unopar). "Acho que até a metade do ano que vem já consigo estar empregado em alguma empresa de taxiaéreo ou aviação executiva."
O piloto garante que o que o encantou na profissão não foi apenas a perspectiva de bons salários. Ter estabilidade e a possibilidade de conhecer outras culturas também pesaram, por isso sonha em ser contratado por uma companhia aérea. O investimento para realizar este sonho não tem sido baixo: cada hora de voo em avião monomotor custa em média R$ 350,00. No total, o aluno deve voar pelo menos 150 horas, destas, 40 devem ser em voo por instrumento sendo 20 em simulador (oferecido pela universidade) e 20 em avião equipado para este tipo de voo. A hora/aula, neste caso, custa em torno de R$ 500,00.
A conta ainda não para por aí. Para conseguir o brevê, o futuro piloto tem que realizar também 12 horas de voo em avião bimotor. Custo médio de cada hora/aula neste tipo de aeronave: R$ 1 mil. "Só em aulas obrigatórias, o custo fica entre R$ 55 mil e R$ 60 mil, o que é uma dificuldade. Não há incentivo do governo, não existem cursos públicos no País para formação de pilotos", afirma Weslley, lembrando que a única facilidade ofertada na região é um financiamento por parte do Aeroclube de Londrina. "Eu sempre tive o apoio da família. Não fosse isso, talvez não tivesse conseguido", reconhece.
Entre os fatores que tornam Londrina uma referência em aviação civil está o único curso do Paraná que forma bacharel em Ciências Aeronáuticas, ofertado desde o ano 2000 pela Unopar. São três anos de formação, que incluem, além das aulas teóricas, as aulas práticas no Simulador de Voo Avançado, que reproduz o painel de um bimotor Senica 3 e ensina o aluno a pilotar por instrumento. O coordenador do curso, Fernando Torquato, defende que ter um curso mais completo na área representa um diferencial em um mercado caracterizado por altos e baixos. "O que se ouve muito hoje é que daqui a dois anos vai faltar piloto no mercado."
Segundo Torquato, o setor que mais contrata ainda é o de linhas aéreas, mas esta realidade já começa a mudar. "Tempos atrás vi um anúncio no jornal para contratação de piloto agrícola. Eu nunca tinha visto. Outra área em que tem aumentado a demanda por pilotos é a de helicópteros, tanto que recentemente começamos a oferecer o curso rápido de Teoria de Voo de Helicóptero, para despertar o interesse dos alunos. O Brasil conta com uma das maiores frotas deste tipo de aeronave do mundo", observa o professor. (S.L.)





