Arquivo FolhaO Museu de Artes das Américas, em Washington (EUA), projeto do arquiteto Ruy OhtakeAs estações de embarque da primeira linha do fura-fila, em São Paulo, serão identificadas por esculturas de cerca de 15 metros de altura. A Prefeitura de São Paulo anunciou que a linha Sacomã-Parque D. Pedro (ligando as regiões sudeste e centro) terá o design proposto pelo arquiteto Ruy Ohtake. A pedido do prefeito Celso Pitta (PPB), quatro arquitetos apresentaram sugestões no início de julho para a concepção visual da obra. O fura-fila, oficialmente chamado de VLP (Veículo Leve sobre Pneus), foi promessa da campanha eleitoral de Pitta para melhorar o transporte coletivo. A proposta de Ohtake foi considerada a mais viável para a linha. Os outros três arquitetos convidados foram Júlio Neves, Carlos Bratke e Walter Toscano.
Cada arquiteto recebeu R$ 30 mil para apresentar sua idéia. O vencedor vai ser contratado pelo consórcio Setepla-Logit, que venceu a concorrência pública feita pela prefeitura para desenvolver o projeto do fura-fila (traçado das linhas, protótipo, design etc.).
A proposta de Ruy Ohtake foi, segundo a Secretaria Municipal dos Transportes, a que melhor combinou os critérios custo, tecnologia, disponibilidade de fornecimento de materiais e prazo de implantação. Ohtake - que projetou a embaixada do Brasil em Tóquio e o Museu de Artes das Américas (Washington) - diz que concebeu um visual leve e bonito para o fura-fila. ‘‘São Paulo é uma cidade que não possui belezas naturais. As nossas obras públicas precisam ter, além da preocupação funcional, um compromisso estético’’, diz o arquiteto.
De acordo com o projeto de Ohtake, as pistas da linha Sacomã-Parque Dom Pedro serão construídas em paralelo e vão ter 11,2 metros de largura. Serão feitas em concreto e revestidas, provavelmente, em alumínio azul. É possível que o revestimento seja de aço carbono ou aço inox, o que ainda não foi definido.
As pistas ficarão no nível do solo (no trecho em que o rio Tamanduateí é tampado), e em vias elevadas de 8,2 metros de altura no trecho aberto. A linha terá seis estações elevadas e duas no nível do solo. Nas extremidades, serão construídos terminais integrados a outros meios de transporte (ônibus, metrô etc.).
Como a linha será construída sobre o rio, que fica no meio da avenida do Estado, passarelas serão feitas para o acesso a cada estação. ‘‘As passarelas serão usadas também pelas pessoas que quiserem apenas passar de um lado para o outro da avenida’’, disse. O arquiteto vai convidar escultores para criar marcos visuais para cada uma das estações do fura-fila. Cada obra terá 15 metros de altura. A linha projetada pelo arquiteto custará cerca de R$ 7.000 por quilômetro. Serão construídos 8,5 quilômetros. Considerando também o custo dos equipamentos e dos veículos, o valor total da obra ficará em torno de R$ 102 milhões.

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