No Noroeste, a Delegacia da Polícia Federal em Guaíra recebeu nos últimos dois meses aproximadamente 120 pedidos de refúgio de trabalhadores de Bangladesh.
Segundo a corporação, esse tipo de pedido vem aumentando porque muitos bengaleses estão chegando à região com vistos bolivianos. Eles entram no Brasil através de Cáceres (MT) e Corumbá (MS). No Noroeste do Paraná, vêm para trabalhar principalmente em frigoríficos.
‘‘O que sabemos é que os frigoríficos da região estão tentando conquistar o mercado árabe, que tem exigências específicas para o abate dos animais: a estrutura tem que ser voltada para Meca, o tipo de corte’’, explica Eduardo Barbosa dos Santos, agente da PF em Guaíra. A FOLHA apurou que os bengaleses são vistos como uma alternativa diante da rotatividade alta e dificuldade de reposição de mão de obra no setor.
No último dia 11, a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) localizou em um ônibus um grupo de bengaleses que iriam trabalhar em frigoríficos na região de Umuarama. Os 11 trabalhadores portavam vistos bolivianos. Após terem os passaportes fotocopiados e serem fotografados, seguiram viagem.
Segundo Santos, o que tem acontecido nesses casos é que os trabalhadores solicitam refúgio para permanência no Brasil. O Comitê Nacional para Refugiados (Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça, tem 180 dias para dar resposta ao pedido, prazo que pode ser prorrogado por mais 180.
Enquanto não há resposta do Conare, os trabalhadores não são considerados imigrantes ilegais e podem permanecer no País. A PF colhe depoimentos e junta a documentação, e não atua mais no processo a partir do momento em que a situação é encaminhada ao comitê. (F.G.)

mockup