O Ministério Público de Guarapuava denunciou, no final de junho, a freira da Congregação Vicentina, Anilse Terezinha Bianchini, 58 anos, por intermediar adoções ilegais. A freira é acusada de prometer vantagens para duas mulheres grávidas em troca dos bebês. Uma delas, Sirlei Pereira, contou ao promotor Humberto Pucinelli que a religiosa lhe prometeu emprego fixo em troca do filho recém-nascido. Porém, foi demitida do novo emprego três dias depois de entregar a criança.
A outra mãe citada no caso é Mariliane Aparecida Ziegmann, de Prudentópolis (64 km a leste de Guarapuava). Ela entregou duas crianças para a religiosa entre 1995 e 2000.
A freira admitiu sua participação nas adoções ilegais. Em depoimento na 1ª Vara Criminal, há duas semanas, Anilse alegou que participava da ilegalidade para ajudar casais que não podem ter filhos biológicos. Disse também que dessa forma estava contribuindo para que as crianças tivessem melhores condições de vida.
Um dos promotores que atua no caso, Cláudio Félix, explica que pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, não é necessário haver o recebimento de dinheiro em troca das crianças para o crime estar configurado. ‘‘A simples promessa de alguma vantagem para a mãe já pode ser considerada um crime’’, salienta.
Anilse está presa desde 25 de junho, um dia antes do Ministério Público oferecer a denúncia. Ela foi detida porque estaria coagindo testemunhas dos três casos das adoções irregulares. A prova da coação foi obtida pelos promotores através de escuta telefônica. Doente, ela foi transferida para o Hospital Nossa Senhora de Belém.

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