O que a população de uma cidade pode esperar em relação à segurança de seus filhos quando juízes de Direito têm suas casas assaltadas, policiais têm seus veículos particulares roubados e até uma delegacia tem o camburão furtado no próprio estacionamento? E o que fazer quando essa mesma cidade com 268 mil habitantes, registra 47 homicídios apenas nos dois primeiros meses do ano, número superior aos da capital do Estado, com 1,6 milhão de pessoas?
Foz do Iguaçu, conhecida nacionalmente como ponto de partida para a circulação de drogas, armas e outras mercadorias ilegais no País (está na tríplica fronteira Brasil/Argentina/Paraguai), vive uma crise na fiscalização das aduanas, no sistema carcerário e principalmente na criminalidade que ronda ruas e bairros. A violência atinge todas as classes, mas está mais concentrada nas 75 favelas (chamadas pelo IBGE de ‘‘aglomerados subumanos’’) onde traficantes, assassinos e ladrões permanecem entrincheirados.
Se a superlotação da Cadeia Pública (que tem capacidade para 168 presos, mas está com 475 detentos) preocupa, imagine saber que 2 mil mandados de prisão, busca e apreensão estão parados na Polícia Civil, devido à falta de pessoal para efetivar as autuações. Juízes das três varas criminais e também da Vara de Execuções Penais aguardam anciosos a transferência de condenados e pelo menos o ‘‘sinal verde’’ para o início das obras de uma penitenciária orçada em R$ 7 milhões que nunca saiu do papel.
Até um terreno de 24 mil metros quadrados foi desocupado depois de uma ‘‘seleção’’ feita entre três lotes pelo secretário da Segurança Pública, José Tavares, no início do ano passado. Passado um ano, o anúncio: o governo federal desistiu de liberar verbas no valor de R$ 20 milhões para a construção de presídios em Foz, Ponta Grossa e Campo Mourão. Também depois de um ano, a cidade recebeu da secretaria apenas mais dez motonetas e R$ 8 mil para manutenção da frota e R$ 13 mil que serão usados na compra de combustível (as polícias Militar e Civil possuem juntas 59 viaturas e 41 motocicletas).
Cansados de aguardar decisões governamentais e de sofrer pressão diariamente da sociedade, autoridades e representantes das corporações responsáveis pela segurança de Foz, incluindo Polícia Federal, Rodoviária Federal e até mesmo as Forças Armadas, estão discutindo a formação de uma força-tarefa que utilizará praticamente todos os 900 homens disponíveis na cidade. A população da cidade mais violenta do Estado vai desembolsar, juntamente com a administração pública, R$ 150 mil para concretizar o projeto.

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