'Foi bom enfrentar o medo das perdas e do novo'
A jornalista Joice Montefeltro e o professor de Educação Física Luis Jorge estão há pouco mais de dois anos vivendo em Perugia, no centro da Itália. Até embarcarem, porém, o projeto foi embalado por mais de duas décadas, desde que ambos se formaram na Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Assim que nos formamos começamos a trabalhar imediatamente e a nos envolver com nossas profissões. O tempo passou - foram 25 anos de muito trabalho - , mas aquele desejo de experimentar algo novo permanecia dentro da gente. Enquanto isso, tudo o que realizávamos era pensando no momento de alçar voo", conta Joice.
O momento que acreditaram ser o certo chegou quando conseguiram vender uma casa que haviam construído. "Ou vamos agora, ou não vamos mais", pensaram. Segundo a jornalista, ela e o marido não queriam morrer com esta curiosidade, sem tentar. "Viemos com o seguinte pensamento: se não der certo, pra nós já deu."
As carreiras profissionais consolidadas, que normalmente são fator de grande peso e que em muitos casos levam as pessoas a desistirem dos planos de dar uma reviravolta em suas vidas, não foi empecilho para o casal. "Pelo contrário, queríamos mesmo tentar outras atividades." Luis, que fez carreira como cabeleireiro mas tinha como hobby o trabalho com cerâmica, sonhava em ter mais tempo para o artesanato. Ela, que nos primeiros tempos em solo italiano até "caiu na tentação" de fazer jornalismo, hoje faz traduções e ministra aulas de português.
Joice e Luis não têm filhos, mas acreditam que, se tivessem, não teria sido mais complicado, apenas diferente. "Uma mudança como essa, que te obriga a colocar toda a sua vida em poucas malas, requer planejamento. E com filhos, o planejamento é outro. A gente tinha uma cachorra e não pensamos, em momento algum, em deixá-la para trás. Histórias diferentes, planejamentos diferentes", afirmam.
O casal ensina que viver em outro país não é apenas arrumar um novo endereço. "Demanda desprendimento de tudo o que se acumulou durante uma vida toda para criar outras rotinas, hábitos e descobrir novos caminhos." Nesta mudança, eles dizem ter descoberto que a maior parte das coisas que guardaram durante anos não lhes fez falta. "Foi muito bom deixar de lado o apego e o comodismo para enfrentar o medo das perdas e do novo, por nossa conta e risco."
Para quem ainda não conseguiu materializar o sonho de uma grande mudança, Joice e Luis afirmam que o melhor é fazer aquilo que se tem desejo, vontade e curiosidade. Mas alertam: "Se (o desejo) é viver em outro país, tenha em mente que cada idade, cada época, cada profissão, cada lugar escolhido vai apresentar as suas vantagens e desvantagens. Mas faça, porque a vida passa rápido e há sempre coisas novas a descobrir." (S.L.)





