Entre as rodovias estaduais, uma das situações mais preocupantes é a da PR-323, que liga Maringá (Noroeste) a Guaíra (Oeste). Trata-se de uma das vias mais utilizadas do interior e que absorveu, nos últimos anos, um volume de veículos muito maior que a sua capacidade original. Construída em 1968 e com 220 quilômetros de extensão (até Francisco Alves, onde passa para a esfera federal até Guaíra), a via recebe entre 25 mil e 30 mil veículos por dia, incluindo muitos caminhões que transportam a safra agrícola, segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
  ‘‘Podemos dizer que trata-se da mais importante rodovia estadual, com características que atraem os usuários, como o fato de ser bem estruturada e possuir poucas rampas. No entanto, ela já extrapolou muito o seu limite. É um absurdo a quantidade de veículos que recebe. As medidas que estão sendo pensadas hoje para melhorar a trafegabilidade nos pontos mais críticos já deveriam ter sido tomadas há pelo menos cinco anos’’, admite o superintendente regional do DER para o Noroeste, Osmar Lopes.
  Na próxima semana, deve ser entregue ao governador Beto Richa o projeto de duplicação em um trecho de 3,5 quilômetros, entre Maringá e Paiçandu, onde já existem cerca de três quilômetros duplicados. ‘‘Se a obra for autorizada, há um prazo de três meses para licitação. De qualquer forma, é um projeto para 2012’’, informa. Para Lopes, o ponto é o mais crítico da PR-323. Outro vai de Paiçandu até Cianorte, com cerca de 70 quilômetros. ‘‘Este segmento está em fase de estudo pelo DER’’, afirma Lopes.
  Há menos de um ano, a FOLHA percorreu a rodovia e confirmou que o excesso de caminhões, somado à falta de acostamentos e estrutura deficitária, transformou a 323 em um corredor da morte. De acordo com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, até o mês de agosto deste ano foram registrados 786 acidentes, com 31 mortos e 491 feridos. Em 2010, ocorreram 1.129 acidentes, com 68 mortes e 709 feridos.
  A situação chegou a tal ponto que levou três importantes municípios – Maringá, Cianorte e Umuarama – a se unirem para reivindicar a duplicação. O movimento começou em agosto do ano passado e ganhou força. Mais de 25 mil assinaturas foram coletadas para um abaixo-assinado. Na próxima quarta, representantes da Associação Comercial e Industrial de Cianorte (Acic) e de outras entidades voltarão a protestar. ‘‘Nos trechos mais críticos é praticamente impossível fazer ultrapassagens. Além do grande número de acidentes, se tivermos que transportar um paciente em estado grave, os riscos de morte são muito grandes. Isso sem falar nos problemas para a economia local’’, argumenta o presidente da Acic, Rubens Pereira de Carvalho.
  De maneira geral, porém, os custos para duplicação são altos e variam de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões por quilômetro, segundo o DER. Segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, a meta é duplicar toda a PR-323, mas não há prazo. Além da duplicação do trecho entre Maringá e Paiçandu, estuda-se ainda melhorias em dois pontos problemáticos: transposição no entroncamento com a PR-486, na localidade de Cedro; acesso à ponte Ayrton Senna, em Guaíra.

FIM DA LINHA - Sobram veículos e falta espaço na PR-323
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